O Grupo Aeroporto do Pico (GAPix) considera que a criação de um grupo de trabalho pelo Governo dos Açores para avançar com o projeto de ampliação da pista do Aeroporto do Pico constitui “um sinal positivo”, mas lamenta que a decisão surja “com atraso”, alertando para o risco de o processo se prolongar sem resultados concretos.
Em comunicado, o movimento de cidadãos refere que a iniciativa governamental é recebida “com uma mistura de expectativa e vigilância”, sublinhando que o despacho que cria o grupo de trabalho parece assumir, pela primeira vez, a viabilidade técnica da ampliação. Ainda assim, o GAPix questiona o calendário e a necessidade de reavaliar aspetos que, segundo o grupo, já estavam previamente definidos.
“O despacho traz a grande novidade: ao falar em ‘avaliar e decidir’, parece assumir finalmente que a ampliação é tecnicamente viável. É um sinal positivo, mas que chega com atraso”, refere o comunicado.
O Governo dos Açores criou formalmente o grupo de trabalho através de um despacho da Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, publicado no Jornal Oficial, com o objetivo de avaliar e decidir a melhor solução técnica, calendarizar a execução da obra e identificar fontes de financiamento para o projeto.
O GAPix recorda que a ampliação da pista do Aeroporto do Pico já teve verbas previstas no Plano Operacional 2030 e no Plano de Transportes para os Açores 2021-2030, num investimento estimado em cerca de 30 milhões de euros, com 85% de financiamento comunitário, o que implicaria um custo direto para a Região de aproximadamente 4,5 milhões de euros.
Perante este enquadramento, o grupo questiona as recentes referências governamentais à necessidade de encontrar financiamento adicional. “As verbas foram realocadas? Onde está o novo plano de financiamento que garanta que este grupo não serve apenas para ganhar tempo?”, interroga o movimento.
O GAPix sublinha ainda que o prazo de junho de 2026 para avanços concretos no processo já está definido e exige que seja cumprido. “Não precisamos de mais estudos de gaveta. Precisamos de uma decisão política firme e de verbas no terreno”, defende, assegurando que acompanhará de perto o trabalho do grupo para garantir que este resulte em obra efetiva.
No preâmbulo do despacho, o Governo Regional reconhece que a ampliação da pista do aeródromo da ilha do Pico é uma “legítima aspiração dos picoenses” e uma necessidade já identificada pelo executivo. O objetivo passa por melhorar as condições operacionais, reduzir cancelamentos, aumentar a capacidade comercial, de carga e passageiros e permitir maior alcance das aeronaves à descolagem.
O documento recorda ainda que um estudo prévio, entregue em outubro de 2023, apontou a necessidade de analisar soluções adicionais para melhorar a operacionalidade das aproximações e aterragens, tendo sido posteriormente elaborado um estudo complementar, concluído em janeiro de 2025, com pareceres da SATA Gestão de Aeródromos, da SATA Air Açores e da Azores Airlines.
Na semana passada, o presidente do Governo dos Açores afirmou que, sem fundos comunitários, “não há condições para materializar” o projeto, admitindo, no entanto, a existência de margem para decisões estratégicas e articulação entre Governo Regional, poder nacional e instituições comunitárias para encontrar soluções viáveis.





