Os prejuízos provocados pelo recente mau tempo no setor turístico da região Centro já ultrapassam os nove milhões de euros, segundo um inquérito promovido pela Turismo Centro de Portugal junto de empresas de alojamento, restauração e atividades turísticas.
De acordo com os dados preliminares do levantamento, mais de 80% dos estabelecimentos que responderam reportaram danos nas instalações físicas, enquanto 80% indicaram ter registado uma paragem total ou parcial da atividade. Em concreto, 47% das empresas suspenderam totalmente a operação e 33% sofreram interrupções parciais, com apenas 20% a afirmar não ter sido afetada.
As perdas materiais estimadas ascendem a cerca de 6,48 milhões de euros, às quais se somam mais de 2,59 milhões de euros em quebras de faturação. A Turismo Centro de Portugal sublinha, contudo, que estes valores são ainda provisórios, uma vez que muitas empresas não conseguiram, nesta fase, quantificar integralmente os danos.
Os prejuízos incidem sobretudo na estrutura dos edifícios, seguindo-se as áreas exteriores, equipamentos e infraestruturas. Os setores mais afetados são a hotelaria, a restauração, a animação turística e os serviços associados, com impactos diretos na capacidade operacional das empresas e na manutenção dos postos de trabalho.
Entre os concelhos com maior número de respostas destacam-se Leiria, Alcobaça, Coimbra, Tomar, Figueiró dos Vinhos e Lourinhã, embora se registem também muitos danos na Figueira da Foz, Lousã, Nazaré, Pombal, Marinha Grande e Ourém, o que demonstra a ampla extensão geográfica da área afetada.
No total, foram contactadas cerca de 7.500 empresas turísticas, tendo sido obtidas 277 respostas, maioritariamente dos setores do alojamento turístico e da restauração. A entidade regional refere ainda que as falhas de comunicações em algumas localidades continuam a dificultar a recolha de dados.
As empresas identificaram como prioridades o acesso a financiamento para reconstrução e reparação das instalações, bem como medidas de apoio à manutenção do emprego.
O temporal associado às depressões Kristin e Leonardo causou, desde a semana passada, onze mortes em Portugal, além de centenas de feridos e desalojados. Entre as principais consequências estão a destruição de habitações e empresas, a queda de árvores e estruturas, o encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, bem como cortes de energia, água e comunicações.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas. O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio que poderá ascender a 2,5 mil milhões de euros.





