Fundado em 2009, o Club AF é hoje uma referência no setor das viagens educativas e culturais.

Com sede em Guimarães, mas com atuação nacional e internacional, o projeto nasceu da paixão de António Santos, professor de Francês, por promover experiências de aprendizagem fora da sala de aula. A sua visão de turismo pedagógico e humanista evoluiu para uma empresa familiar com uma oferta diversificada, que vai desde circuitos para estudantes até viagens de descoberta para jovens adultos.

Nesta entrevista ao Opção Turismo, António Fernando Santos falou no desempenho do Club AF em 2025 e o que esperam para este ano bem como na expansão da marca, destinos e outros temas de importância.

António Santos – Embora alguns números possam estar ainda em fase de fecho, em 2025 atingimos mais de 4.700 passageiros. Contudo, até à data, já ultrapassámos os 5.000 viajantes inscritos nas nossas viagens que envolvem o turismo educativo e cultural e o à descoberta. Neste número não estão incluídos os nossos clientes habituais.

De salientar que trabalhamos sobretudo com grupos. Portanto, será mais fácil dizer que o ano passado foram organizados 81 grupos. Este ano iremos ultrapassar esse número pelas reservas que já temos. Prevejo um ano de muito trabalho, o que é ótimo.

Quanto à faturação de 2025 posso dizer que faturámos cerca de  2,5 milhões de euros.  Todavia, em termos de resultados globais e comparativamente com 2024 tivemos uma quebra de 13% mas isso devido ao investimento realizado com a abertura da nossa filial em Miranda do Douro.

Opção Turismo – Quais foram os destinos que mais se destacaram na vossa programação em 2025, em termos de volume de passageiros? Qual a principal razão?

António Santos – Como destino clássico, sem dúvida Paris. Não só pela tradição mas também conhecimento que temos desse mercado, nomeadamente na vertente do turismo educacional.

Porém, na área do Turismo à Descoberta, os programas para o destino Sri Lanka esgotaram sempre rapidamente. Pelo seu impacto, voltaremos a realizar não só programas para o Sri Lanka como para outros que nos têm sido sugeridos.

Finalmente, no que se pode chamar de destino nacional, a grande surpresa foi, sem dúvida, Miranda do Douro.

Opção Turismo – E que razões pode explicar para isso?

António Santos – A 15 de novembro de 2025, o Club AF inaugurou a sua filial no Nordeste Transmontano e face a grande divulgação do evento, vários clientes, entre eles um grupo de nacionalidade francesa, contatou-nos para um programa de passagem do ano naquele destino. Tal o sucesso, que foi feito o pedido para replicarmos o programa no próximo fim de ano.

Opção Turismo – Houve algum destino que o tenha surpreendido pela positiva ao longo do ano — não necessariamente pelo volume, mas por outros fatores como desempenho comercial, perfil do cliente ou rentabilidade?

António Santos – A nível internacional os destinos do Turismo de Descoberta estão a ser uma agradável surpresa. A nossa intenção era chegar a passageiros de uma faixa etária que, por regra, não viajavam com o Club AF. Creio que conseguimos alcançar esse objetivo, porque os programas lançados rapidamente esgotaram.

No mercado português, o destaque vai para os destinos culturais que promovemos não só para grupos de clientes portugueses, como estrangeiros, nomeadamente, de nacionalidade francesa. Entre eles, aldeias do interior, rotas dos solares do Minho e também, por exemplo, a ilha da Madeira.

Opção Turismo – Olhando para 2026, quais são as vossas perspetivas globais? Antecipam crescimento, manutenção ou retração da atividade?

António Santos – Crescer mais. Atualmente, temos já mais de 5.000 viajantes confirmados para cerca de 90 grupos, também já fechados.

Temos já 6 destinos e 5 viagens confirmadas e fechadas no programa Turismo de Descoberta. Posso dizer que é o resultado do reconhecimento da qualidade dos nossos serviços e produtos, aliado a um aumento da procura.

A par disso, gostaria de salientar que diariamente temos tido pedidos de orçamentos e alguns já confirmados.

Quero também ressalvar que ainda não foi lançada a programação total das viagens, nomeadamente os programas culturais para os nossos clientes portugueses e franceses.

Com toda esta programação penso que vamos ultrapassar o melhor anos de sempre desde a criação do Club AF.

Opção Turismo – Estão previstos novos destinos ou produtos para 2026? Se sim, pode destacar algum em particular?

António Santos – No Turismo de Descoberta lançamos São Tomé e Príncipe, Tailândia, Indonésia, Tanzânia e Zanzibar. A estes, junte-se os que lançamos em 2025, sendo que o programa para o Egito já está confirmado e fechado.

No Turismo Cultural retomamos as viagens de cruzeiro, algo que é muito solicitado.

Para o verão e final do ano de 2026 pretendemos lançar programas para o Nordeste Transmontano, onde se dará destaque às aldeias e miradouros do planalto mirandês.

Opção Turismo – Existe alguma operação de risco que já possa ser identificada para o próximo ano?

António Santos – Em 2026, queremos lançar o destino Marrocos, também na perspetiva educativa. Na abordagem prévia a professores, sentimos uma forte relutância por não ser ainda entendido e considerado como um destino de Turismo Educativo.