Bestravel regista recorde de vendas num mercado condicionado pela capacidade aérea

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A limitação de capacidade no Aeroporto de Lisboa está a ter um impacto direto na operação turística, funcionando como um fator regulador da oferta charter e contribuindo para um maior equilíbrio no mercado.

A análise foi partilhada durante numa conferência de imprensa, no âmbito da XXI Convenção da Bestravel, que aconteceu em Casablanca, em Marrocos, de 29 a 31 de janeiro, onde responsáveis da rede destacaram que a dificuldade em colocar novas operações tem evitado excessos de capacidade e reduzido a pressão das campanhas de última hora.

Segundo Carlos Baptista, administrador da Gecontur, o constrangimento na infraestrutura aeroportuária tem condicionado o crescimento da operação. “O estrangulamento do aeroporto de Lisboa está a fazer com que seja cada vez mais difícil colocar operações. Muitos operadores que gostariam de pôr mais não têm essa capacidade, o que cria uma autolimitação do mercado que, de certa forma, o vem regular”, afirmou.

De acordo com o responsável, este cenário tem tido reflexos positivos na ocupação dos voos. “As operações estão a sair praticamente todas cheias e isso tira a necessidade de campanhas de last minute”, sublinhou, acrescentando que esta dinâmica favorece um modelo de venda mais sustentável. “Ajuda-nos a restituir uma venda antecipada e uma venda com valor acrescentado, em que todos saiam a ganhar: operadores e agências de viagens.”

Apesar deste equilíbrio atual, Carlos Baptista alertou para o risco de desvalorização do produto a médio prazo, caso se volte a cair numa lógica de excesso de oferta. “Se não fosse este estrangulamento, provavelmente poderíamos estar a entrar novamente no exagero”, referiu, recordando que alguns operadores chegaram a reposicionar operações para o Porto, nem sempre com os resultados esperados.

No plano macroeconómico, o administrador reconheceu que o setor continua a operar num contexto de instabilidade, ainda que com sinais de resiliência por parte da procura. “Continuamos a viver num momento de alta instabilidade”, disse, apontando a descida das taxas de juro como um fator de algum alívio no poder de compra. Ainda assim, destacou que o comportamento do consumidor mudou de forma estrutural: “As pessoas vão colocando cada vez mais a viagem como um bem de primeira necessidade. Antigamente, quando havia uma crise, o setor era o primeiro a ser afetado. Atualmente, não é isso que se verifica.”

Também a pressão comercial associada às campanhas de última hora foi identificada como uma preocupação recorrente no setor. Para Ricardo Teles, este tipo de práticas tem impacto direto na rentabilidade. “Estar sempre em campanha, principalmente em campanhas de last minute, acaba por esmagar margens para toda a gente”, afirmou.

O responsável alertou ainda para o risco de desvalorização da venda antecipada. “Não é positivo apostarmos cada vez mais na antecipação e depois, à última hora, o cliente poder ter preços mais baratos”, explicou, reconhecendo, no entanto, que a antecipação continua a manter-se forte.

Marca Bestravel com regras claras de utilização

Durante a sessão, foi também clarificada a política de utilização da marca Bestravel, nomeadamente em projetos digitais ou modelos considerados “robóticos”. Segundo foi explicado, qualquer uso da marca tem de ser aprovado pelo Master Franchising. “O Master não autoriza o uso da marca Best Travel nesse modelo robótico. Em qualquer circunstância tem de haver aprovação”, frisou Carlos Baptista.

Foi ainda esclarecida a autonomia de algumas entidades do grupo, como a Atlantic Gadget, empresa detida pela Turem, que opera de forma independente da Gecontur, bem como a Turangra, franchisada da Bestravel nos Açores, com lojas em Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Graciosa.