O Grupo Vila Galé terminou 2025 com uma faturação global de 321 milhões de euros, um crescimento de cerca de 15% face ao ano anterior, consolidando a sua posição como um dos maiores grupos hoteleiros de capital totalmente português. Os resultados foram apresentados esta semana numa conferência de imprensa que contou com a presença de Jorge Rebelo de Almeida, fundador e acionista do grupo, e de Gonçalo Rebelo de Almeida, CEO.
Fundado em 1986, o Grupo Vila Galé conta atualmente com cerca de 5.000 colaboradores e está presente em quatro países — Portugal, Brasil, Cuba e Espanha — com um portefólio total de 52 unidades hoteleiras: 34 em Portugal, 13 no Brasil, quatro em Cuba e uma em Espanha.
Em Portugal e Espanha, o grupo registou uma faturação de 193,5 milhões de euros, com 1.154.500 quartos ocupados e cerca de 807 mil hóspedes. O EBITDA estimado nesta geografia atingiu os 81 milhões de euros.
No Brasil, os resultados foram igualmente expressivos, com uma faturação de 807 milhões de reais, 743 mil quartos ocupados e 436 mil hóspedes, gerando um EBITDA estimado de 293 milhões de reais.
No total das operações, o grupo alcançou cerca de 1,9 milhões de quartos ocupados e 1,25 milhões de hóspedes ao longo de 2025, com um EBITDA global estimado de aproximadamente 127 milhões de euros.
Segundo Gonçalo Rebelo de Almeida, “vamos terminar o ano com cerca de 321 milhões de euros de receita no conjunto das geografias”, sublinhando que “isto representa um crescimento de cerca de 15% face a 2024”. O responsável destacou ainda a dinâmica diferenciada entre mercados: “No Brasil, o crescimento da receita foi de 23%, enquanto em Portugal foi de cerca de 8%”.
O CEO acrescentou que o desempenho foi acompanhado por uma melhoria da rentabilidade: “O resultado global estimado, o EBITDA, deverá rondar os 125 milhões de euros, também com um crescimento de 15%”. Em Portugal, explicou, “o número de turistas estabilizou, mas crescemos em receita, sobretudo por melhoria do preço médio”, enquanto no Brasil “houve crescimento tanto na receita como nas taxas de ocupação”.
Entre os mercados internacionais, Gonçalo Rebelo de Almeida destacou o peso crescente dos Estados Unidos: “Os turistas americanos consolidaram-se como o terceiro mercado internacional mais importante para nós em Portugal”. Um segmento que, segundo o gestor, “traz mais valor e fica mais tempo no destino, além de circular mais pelo país”.
Expansão forte no Brasil
O grupo tem em curso um plano de investimento ambicioso, que deverá atingir cerca de 210 milhões de euros nos próximos dois a três anos, com especial foco no Brasil e em Portugal.
No Brasil, estão previstas várias novas aberturas. No Maranhão, avançam dois projetos: o Vila Galé São Luís, com 51 quartos, e o Vila Galé Maranhão, com 43 quartos, num investimento conjunto de 14 milhões de euros. A primeira fase deverá abrir em novembro de 2026, seguindo-se a segunda fase em junho de 2027.
Em Santa Catarina, o Vila Galé Florianópolis contará com 309 quartos, num investimento de 27 milhões de euros, com abertura prevista para abril de 2028.
Em Minas Gerais, o Vila Galé Brumadinho terá 312 quartos, também com um investimento de 27 milhões de euros, com abertura estimada para 2028.
Em Alagoas, o grupo desenvolverá dois empreendimentos: o Vila Galé Coruripe NEP Kids, com 350 quartos, e o Vila Galé Coruripe Alagoas, com 144 quartos, num investimento global de 35 milhões de euros, com abertura prevista para maio de 2027.
Novas unidades em Portugal
Em Portugal, o plano de crescimento incide sobretudo na marca Vila Galé Collection, focada em unidades de menor dimensão e forte integração patrimonial.
Em Oeiras, o Paço Real de Caxias contará com 120 quartos, num investimento de 16 milhões de euros, com abertura provável em 2027.
Em Miranda do Douro, o projeto Mirandum terá 100 quartos e um investimento de 16 milhões de euros, com abertura prevista para o segundo trimestre de 2027.
Em Lisboa, está em desenvolvimento um novo Vila Galé Lisboa, com 110 quartos, num investimento de 35 milhões de euros, com abertura apontada para 2028.
Na Golegã, o Hotel Vila Galé Tejo terá 116 quartos, com um investimento de 15 milhões de euros, devendo abrir em 2027.
Na Ilha Terceira, nos Açores, está previsto um Vila Galé Collection com 106 quartos, num investimento de 16 milhões de euros, com abertura possível em 2028.
Em Penacova, o grupo avança com uma unidade com o nome da localidade, com 84 quartos, com um investimento de 14 milhões de euros, com inauguração provável no primeiro trimestre de 2027.
Turismo resiliente e desafios estruturais
Durante a conferência, Jorge Rebelo de Almeida traçou uma visão alargada sobre o setor e os principais desafios do país. Para o fundador do grupo, “felizmente, o turismo tem sido uma atividade super resiliente. O turismo venceu várias crises”, acrescentando que “continua a ser, nos últimos anos, responsável pela boa performance do país”.
Ainda assim, alertou para a necessidade de um desenvolvimento equilibrado da economia: “O que é bom para o país não é haver um setor predominante, mas sim todos os setores terem um desenvolvimento harmonioso”.
O empresário voltou a sublinhar o potencial do interior: “Temos um interior maravilhoso, gigantesco, cheio de oportunidades para crescer”, defendendo políticas que promovam investimento fora dos grandes centros urbanos.
Um dos principais constrangimentos identificados foi a questão aeroportuária em Lisboa. “É pena que não tenhamos espaço, não tenhamos slots, para captar os fluxos que ainda estão à espera, nomeadamente da Ásia”, afirmou. Para Jorge Rebelo de Almeida, “temos de encontrar uma solução intercalar para o aeroporto, porque a alternativa definitiva ainda tem muito caminho a percorrer”, reforçando que “não podemos continuar sem uma solução para o aeroporto. Isto é um gargalo para o turismo em Portugal”. O fundador do grupo abordou também o papel da imigração na economia nacional: “Se não tivéssemos imigrantes, o PIB caía a pique. Não tínhamos condições para funcionar”.
Já sobre a crise da habitação, foi direto: “O problema da habitação é gravíssimo e tem impacto direto na natalidade e na fixação das pessoas”. Nesse contexto, revelou a abertura da empresa para colaborar em soluções: “A Vila Galé está disponível para desenvolver projetos de habitação a preços controlados, sobretudo para quem trabalha connosco”.
Jorge Rebelo de Almeida concluiu com uma nota de pragmatismo: “Não me conformo com assumir as coisas como derrotas. Temos sempre de encontrar soluções alternativas”.
Com resultados em crescimento e um pipeline de investimento robusto, o Grupo Vila Galé entra nos próximos anos com uma forte aposta na expansão internacional, sobretudo no Brasil, e na valorização de ativos históricos e regionais em Portugal, mantendo o foco na rentabilidade e na diversificação de mercados.






