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“Sustentabilidade não se faz por decreto”, defende Paulo Brehm na Madeira

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“A sustentabilidade não se faz sozinha, nem por decreto.”, disse Paulo Brehm numa sessão de esclarecimento promovida pela ACIF-CCIM, no Funchal, dirigida a empresários da Região Autónoma da Madeira, de acordo com notícias veiculadas pela imprensa regional madeirense.

Segundo o DN Madeira, Brehm, especialista em sustentabilidade no sector das Viagens e Turismo, destacou o papel central das empresas no caminho para um turismo mais responsável, defendendo que o compromisso deve envolver toda a estrutura organizacional e ser acompanhado por processos de certificação credíveis. “Para que a Madeira seja sustentável, todos os empresários — desde os hoteleiros às agências de viagens, operadores turísticos e empresas de animação turística — têm de estar muito conscientes de que é necessário trabalhar com esse objectivo”, afirmou, acrescentando que “mais do que trabalhar com esse objectivo, é necessário pensar em certificar o seu trabalho”.

Na sua intervenção, salientou que a certificação é uma forma de garantir aos clientes e aos mercados internacionais que as práticas adotadas são consistentes e verificáveis, num contexto de exigência crescente em matéria de sustentabilidade. Reconhecendo que existem “aproveitamentos” neste domínio, sublinhou a importância de separar comunicação credível de práticas meramente declarativas.

Paulo Brehm elogiou ainda o percurso do destino Madeira na certificação EarthCheck, à qual reconheceu “muita credibilidade”, mas defendeu que o esforço público não é suficiente sem uma adesão clara da iniciativa privada. Nesse sentido, procurou sensibilizar os empresários para a necessidade de assumirem um papel ativo e estruturado na gestão sustentável das suas operações.

Em declarações à RTP Madeira, no âmbito da sessão, o consultor chamou também a atenção para a necessidade de investir em novos polos turísticos, como forma de aliviar a pressão sobre zonas que já revelam sinais de saturação nas épocas de maior procura, promovendo um desenvolvimento territorial mais equilibrado. Paralelamente, considerou essencial ouvir a população residente e reforçar uma comunicação transparente, lembrando que, apesar de o turismo ser uma fonte fundamental de riqueza e emprego, pode ser percecionado por alguns residentes como gerador de constrangimentos no quotidiano.

A sessão decorreu na manhã da passada terça-feira, na sede da ACIF-CCIM, e integrou-se num espaço de reflexão e debate com o tecido empresarial da Região sobre os desafios atuais da sustentabilidade no turismo.