Portugal foi em 2024 o quinto país da União Europeia com maiores receitas geradas por turistas estrangeiros, num total de 28 mil milhões de euros, segundo uma análise hoje divulgada pelo Banco de Portugal (BdP) sobre o impacto do turismo na balança de pagamentos.
De acordo com o BdP, Espanha liderou o ranking, com 98 mil milhões de euros em receitas turísticas, seguida de França, Itália e Alemanha.
Quando relacionadas as receitas externas do turismo com o Produto Interno Bruto (PIB), Portugal sobe para o quarto lugar entre os Estados-membros em que o turismo internacional tem maior peso na economia, sendo apenas superado pela Croácia, Malta e Chipre.
A análise indica ainda que Portugal foi o país da UE que registou, entre 2010 e 2024, o maior aumento das exportações de turismo em percentagem do PIB, com um acréscimo de cinco pontos percentuais.
O Reino Unido, França, Alemanha e Espanha mantêm-se como os principais mercados de origem das receitas do turismo internacional português, mas os Estados Unidos passaram a integrar este grupo, tendo em 2024 ultrapassado mesmo a Espanha e ocupado o quarto lugar. Segundo o BdP, o peso dos turistas norte-americanos nas exportações de turismo aumentou de menos de 4% para mais de 10% entre 2010 e 2024.
Registou-se também um crescimento das receitas provenientes do conjunto de mercados menos relevantes, que passaram de 29% para 33%, “reforçando a tendência de maior diversificação na origem das receitas do turismo internacional”.
Apesar de o verão continuar a ser o período com maiores exportações de turismo, o seu peso relativo tem vindo a diminuir. Entre 2014 e 2024, as exportações de turismo cresceram em todos os meses do ano, mas os meses de junho, julho, agosto e setembro reduziram o seu peso conjunto de 49% para 47%, com a maior quebra a ocorrer em agosto, que passou de 18% para 15%.
Numa perspetiva histórica, o BdP sublinha que o turismo de não residentes “tem desempenhado um papel relevante na economia portuguesa” desde a década de 1960. Nessa altura, as receitas de viagens e turismo cresceram de forma expressiva, impulsionadas pelo desenvolvimento económico, pela melhoria das infraestruturas e pelo aumento do nível de vida, atingindo cerca de 6% do PIB.
Após o recuo significativo registado em 1974, devido à instabilidade política, o setor recuperou ao longo da década seguinte, aproximando-se dos níveis dos anos 60, impulsionado pela massificação do turismo balnear. Já nas décadas de 1990 e 2000, as exportações de turismo reduziram-se e estabilizaram em torno de 4% do PIB, refletindo a crescente concorrência de outros destinos.
A partir de 2010, as receitas voltaram a crescer de forma acentuada, apenas interrompidas pela pandemia de covid-19, mais do que duplicando de 4,2% do PIB em 2010 para 9,6% em 2024.
Em sentido inverso, as despesas de turistas portugueses no estrangeiro mantiveram-se historicamente mais baixas, situando-se perto de 2% do PIB nas décadas de 1960 e 1990 e atingindo 2,4% em 2024.
Segundo o BdP, a evolução do saldo do turismo na balança de pagamentos portuguesa resultou sobretudo do forte crescimento das receitas geradas pelo setor em Portugal, que superaram o aumento das despesas dos turistas portugueses no exterior.
No período mais recente, o saldo positivo da rubrica de viagens e turismo contribuiu para um saldo positivo da balança comercial portuguesa, que registou em 2012 o seu primeiro valor positivo desde o início da série estatística, numa trajetória apenas temporariamente interrompida pela pandemia.
Neste contexto, o BdP destaca que o saldo positivo da balança comercial “tem sido determinante” para o regresso a saldos positivos nas balanças corrente e de capital, algo que não acontecia desde 1993, indicando que Portugal tem registado capacidade líquida de financiar o exterior.





