Com Lisboa sob pressão, Hoti Hotéis mantém crescimento e prepara novo ciclo

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O Grupo Hoti Hotéis encerrou 2025 com receitas de 121 milhões de euros, o que representa um crescimento de 7% face a 2024. Os resultados foram apresentados durante um almoço com a imprensa, realizado no dia 6 de janeiro, no qual o CEO do grupo, Miguel Proença, classificou o exercício como “um ano com um crescimento sólido”, sublinhando que permitiu atingir “com grande precisão” os objetivos definidos em orçamento.

O crescimento registado em 2025 foi sustentado sobretudo pela subida do preço médio, que aumentou 5% para 106 euros, enquanto a taxa de ocupação registou uma ligeira quebra de 0,5 pontos percentuais, fixando-se nos 74%. Segundo Miguel Proença, esta evolução resultou de “uma aposta deliberada” na valorização do preço, com a evolução das vendas a estar “muito em cima de preços e menos em cima de ocupação”.

Num contexto que o CEO descreve como de “maior estabilização de receitas”, o grupo tem vindo a reforçar o foco na eficiência operacional. “Gradualmente estamos a entrar num período de maior estabilização de receitas, o que obriga a irmos além dos raciocínios que vão apenas pela otimização da venda”, afirmou, apontando para um maior controlo de custos e otimização da gestão com o objetivo de manter os níveis de retorno.

O desempenho do grupo em 2025 foi, no entanto, desigual entre destinos. A Madeira destacou-se como o principal mercado a compensar as quebras registadas noutras regiões, assim como algumas localizações secundárias. “O caso de Braga, por exemplo, é um desses casos”, referiu Miguel Proença, apontando ainda São João da Madeira como uma aposta estratégica com resposta positiva do mercado.

Em sentido contrário, Lisboa, Grande Porto, Leiria e Peniche foram identificados como os mercados mais desafiantes. Em Lisboa, onde o grupo tem quatro unidades, a faturação manteve-se em linha com 2024, penalizada pelos constrangimentos aeroportuários. “Lisboa ficou aquém devido aos problemas do aeroporto”, afirmou o CEO, considerando que esta situação “está a comprometer o nosso destino turístico”.

No Grande Porto e em Leiria, as dificuldades estão relacionadas com o aumento da oferta hoteleira, enquanto em Peniche o principal problema é a sazonalidade e a forte dependência de um único segmento. “Peniche afirmou-se muito através de um segmento de procura ligado ao surf, mas estar dependente apenas de um segmento de mercado é algo bastante complicado e preocupante”, explicou Miguel Proença.

Para 2026, o Grupo Hoti Hotéis prevê atingir um volume de negócios de cerca de 130 milhões de euros, o que representa um crescimento de 7% face a 2025. Para o próximo exercício, o grupo antecipa uma evolução mais equilibrada entre preço e ocupação, uma vez que, em muitos destinos, “não temos já tanta margem de crescimento de preço”, mas existe espaço para recuperar níveis de ocupação.

No plano do investimento, o grupo mantém uma estratégia de crescimento sustentada pela sua solidez financeira. “Não temos dívida, o que é uma situação que não é muito comum, portanto, o Grupo Hoti Hotéis está disponível para fazer o investimento”, afirmou Manuel Proença, presidente do grupo, sublinhando que os resultados têm sido reinvestidos no desenvolvimento do portefólio.

Entre os principais projetos em carteira destaca-se o complexo da Avenida da Boavista, no Porto, que inclui um hotel Meliá de cinco estrelas, com 222 quartos, e um edifício residencial da marca Golden Residence, com acesso aos serviços hoteleiros, cuja construção deverá arrancar ainda este ano, com abertura prevista para 2028. Em Aveiro, o grupo prepara um investimento de cerca de 80 milhões de euros num projeto de uso misto, que integra um hotel da marca Star Inn e um conjunto de unidades residenciais, com início de obra previsto para 2027.

Além das novas unidades, o Grupo Hoti Hotéis está a investir entre 12 e 14 milhões de euros em remodelações, incluindo as intervenções totais no Meliá Ria, em Aveiro, e no Golden Residence, na Madeira, bem como a ampliação e renovação do Tryp Montijo.

Atualmente, o Grupo Hoti Hotéis opera 22 unidades, num total de 3.150 quartos, mantendo-se disponível para continuar a crescer, tanto na hotelaria tradicional como em projetos de uso misto que combinam hotelaria e turismo residencial.