O Governo reforçou o controlo de fronteiras no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, com a mobilização de mais 24 militares da Guarda Nacional Republicana (GNR), numa medida que visa reduzir os tempos de espera nas chegadas de passageiros provenientes de fora do Espaço Schengen.
A informação foi avançada pela agência Lusa. De acordo com o porta-voz da GNR, Carlos Canatário, os militares vão atuar na zona das chegadas, assegurando o controlo documental, em “turnos flexíveis”, organizados em equipas de 10 elementos acompanhadas por um supervisor.
Segundo a Lusa, os militares destacados possuem formação certificada em controlo de fronteiras e receberam, na sexta-feira e na segunda-feira, uma formação adicional de carácter administrativo, ministrada pela Polícia de Segurança Pública (PSP), pela Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) e pela ANA – Aeroportos de Portugal.
A GNR não adiantou por quanto tempo os militares permanecerão no Aeroporto de Lisboa.
Este reforço surge após o aeroporto ter já contado com mais 80 agentes da PSP durante o período de Natal e Ano Novo, em resposta aos elevados tempos de espera registados no controlo de fronteiras para passageiros oriundos de países extracomunitários.
No final de 2025, o Governo anunciou também a suspensão, por um período de três meses, do sistema europeu de controlo de fronteiras para chegadas de fora do Espaço Schengen. O sistema EES (Entry/Exit System), que entrou em funcionamento a 12 de outubro em Portugal e nos restantes países do Espaço Schengen, tem sido apontado como um dos fatores responsáveis pelas longas filas nos aeroportos.
Em dezembro, o ACI Europe, associação que representa mais de 600 aeroportos em 55 países, alertou que os atrasos nos controlos de fronteiras poderão agravar-se a partir de janeiro, uma vez que, até ao momento, apenas cerca de 10% das passagens fronteiriças estão a ser registadas no sistema EES. A partir de 9 de janeiro, esse limite deverá aumentar para 35%.
Entre os fatores identificados pelo ACI Europe para os constrangimentos nos controlos de fronteiras estão o “insuficiente destacamento de guardas de fronteira nos aeroportos”, as “interrupções frequentes do EES” e problemas de configuração do sistema, incluindo a implementação parcial ou indisponibilidade de quiosques de self-service para recolha de dados biométricos.





