A hotelaria em Portugal apresenta diferenças estruturais significativas entre as épocas de verão e de inverno, com impactos claros na ocupação, no preço médio por quarto (ADR) e no perfil dos hóspedes, segundo uma análise da Bedsrevenue baseada em dados de unidades turísticas nacionais.
De acordo com o estudo, o verão concentra cerca de 42% das reservas anuais, sendo dominado pelo turismo de lazer internacional, com forte presença de casais e famílias. Já o inverno representa apenas 16% do total das reservas e caracteriza-se por uma maior procura do mercado nacional, hóspedes seniores e estadas de longa duração, com maior peso de tarifas negociadas.
As estações intermédias — primavera e outono — surgem como períodos híbridos, combinando lazer e viagens de negócios, o que, segundo a Bedsrevenue, cria oportunidades relevantes para a otimização de preços e para uma gestão mais flexível da procura.
Os indicadores de desempenho refletem esta sazonalidade. No verão, a taxa média de ocupação atinge os 82%, com um ADR de 168 euros. No inverno, a ocupação desce para 54% e o ADR médio situa-se nos 118 euros. Ainda assim, a empresa sublinha que hotéis com estratégias comerciais ativas conseguem preservar o preço médio e manter o seu posicionamento, mesmo em períodos de menor procura.
A Bedsrevenue destaca ainda o papel determinante dos eventos e feriados na performance hoteleira ao longo do ano. No verão, festivais, casamentos e grandes eventos impulsionam a procura, enquanto no inverno datas como o Natal, o Ano Novo, feiras profissionais e congressos assumem maior relevância. Os hotéis que integram estas datas no planeamento antecipado de preços conseguem, em média, ganhos adicionais de 12% no ADR durante estes picos pontuais.
Em termos regionais, o estudo identifica comportamentos distintos. O Algarve mantém uma forte dependência da época alta de verão, enquanto Lisboa apresenta maior estabilidade ao longo do ano, sustentada pelo segmento corporate e pelos eventos. O Porto regista um crescimento consistente em todas as estações, ao passo que as regiões do interior evidenciam uma sazonalidade mais acentuada, embora com potencial de diferenciação durante o inverno.





