O Grupo SATA espera ter instalados, até meados de janeiro, novos equipamentos de rastreio por raio-x em cinco ilhas dos Açores — Graciosa, São Jorge, Flores, Faial e Santa Maria — permitindo retomar o escoamento de pescado e outros bens alimentares frescos por via aérea.
Em comunicado, a transportadora aérea regional explica que a instalação dos novos equipamentos depende de fornecedores externos e de constrangimentos nas cadeias de abastecimento, mas garante que, enquanto o processo decorre, estão a ser aplicadas medidas transitórias em articulação com os parceiros aeroportuários, de forma a mitigar os impactos nas operações de carga.
A situação resulta da entrada em vigor, a 1 de janeiro, de uma alteração ao regulamento europeu n.º 2015/1998, que passou a exigir a utilização de equipamentos de raio-x do tipo ‘dual view’ para o rastreio de carga aérea. Estes equipamentos ainda não se encontram instalados nos aeroportos das cinco ilhas referidas, o que levou a SATA Air Açores a informar os comerciantes de que deixaria de ser possível rastrear carga húmida nesses aeroportos.
A comunicação, feita a poucos dias da aplicação da nova regra, motivou críticas por parte da Associação dos Comerciantes do Pescado dos Açores, da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada e do PS/Açores, que alertaram para os potenciais prejuízos económicos e apelaram à intervenção do Governo Regional.
O Grupo SATA assegura que tentou adquirir os equipamentos antes da entrada em vigor do regulamento europeu, mas refere que, em vários casos, os aparelhos ainda aguardam processos de desalfandegamento. Paralelamente, a empresa afirma estar a apresentar soluções de transição adaptadas ao tipo de carga e às condições específicas de cada aeroporto.
A transportadora sublinha ainda que os expedidores com estatuto de “expedidor conhecido” ou “agente reconhecido” não são afetados pelas restrições, por integrarem a cadeia segura de abastecimento. Desde 2021, segundo a SATA, têm sido promovidas ações de sensibilização para incentivar os operadores a obterem esta acreditação, que permite maior autonomia e reduz a dependência de rastreios externos.
Entretanto, o Governo Regional dos Açores afirmou estar a desenvolver contactos com a ANA – Aeroportos de Portugal e com o Grupo SATA para que o transporte aéreo de carga húmida seja reposto o mais rapidamente possível nas ilhas afetadas.





