A companhia aérea Azores Airlines, do Grupo SATA, vai concentrar a sua operação, em 2026, nas ligações dos Açores ao continente e à diáspora, que são as rotas mais rentáveis, revelou hoje o novo presidente do conselho de administração.
“Como temos aeronaves escassas e recursos humanos escassos, não nos podemos dar ao luxo de os afetar a rotas não lucrativas e que nada têm a ver com a missão Açores”, adiantou o presidente indigitado do conselho de administração da SATA Holding, Tiago Santos, numa audição na Comissão de Economia do parlamento açoriano, em Angra do Heroísmo.
Segundo Tiago Santos, em 2026 estão previstos “ajustamentos de algumas rotas” e “algumas reduções de frequências”.
“Estão a ser concluídos os planos de exploração para garantir que temos uma operação o mais rentável possível”, apontou.
Tiago Santos, que é desde julho de 2024 diretor financeiro do Grupo SATA, disse que desde que tomou posse houve uma preocupação com a otimização dos percursos, tendo sido canceladas várias que eram deficitárias.
“Londres é o caso mais evidente. Tínhamos um conjunto de rotas que não estavam a ter o retorno necessário e tomámos a decisão corajosa de cancelar essas rotas”, salientou.
O representante revelou que as rotas com “melhor desempenho” são as que ligam os Açores ao continente e à América do Norte.
“Vamos concentrar a atividade na ligação ao continente e à diáspora açoriana”, reforçou.
Os recursos da companhia são escassos e no próximo ano serão ainda mais reduzidos.
“Em 2024, a operação da Azores Airlines foi feita com 10 aviões próprios e três ACMI [aeronave, tripulação, manutenção e seguro]. A operação de 2026 vai ser feita com nove aviões. Temos menos um avião e estamos a planear não ter qualquer ACMI”, adiantou Tiago Santos.
O novo presidente do grupo público açoriano assumiu como compromissos cumprir o plano de reestruturação acordado com a Comissão Europeia, incluindo a privatização da Azores Airlines e da unidade ‘handling’ (serviços de suporte em solo), e continuar a implementar o plano de sustentabilidade financeira.
Deixou ainda uma garantia aos trabalhadores de estabilidade para o futuro, reconhecendo que os últimos anos têm sido de instabilidade, incerteza e exposição pública permanente.
“É fundamental robustecer o trabalho de maior proximidade e de articulação com as comissões de trabalhadores e os diferentes sindicatos. A comunicação tem de melhorar e os canais de diálogo e confiança têm de ser estreitados”, defendeu.





