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Inscrição do barco moliceiro na UNESCO é “momento histórico” para a Região de Aveiro

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A Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA) saudou a inscrição do barco moliceiro na lista de Património Cultural Imaterial em Necessidade de Salvaguarda Urgente da UNESCO, decisão anunciada hoje em Nova Deli. O presidente da CIRA, Jorge Almeida, classificou o reconhecimento como “um momento histórico para a região de Aveiro e para Portugal”, sublinhando tratar-se de uma prática cultural profundamente enraizada na identidade local.

A inclusão do saber-fazer associado ao moliceiro nesta lista internacional reforça, segundo o dirigente, o compromisso da região “em garantir que este conhecimento tradicional se mantém vivo e relevante para as gerações futuras”. A decisão foi acompanhada da exibição do documentário “Barco Moliceiro – Há quem diga que já nasces connosco”, que retrata a ligação entre o homem, a ria e a construção artesanal da emblemática embarcação.

A CIRA destaca que este é o primeiro Património Cultural Imaterial da Humanidade da Região Centro, resultado de um processo desenvolvido em colaboração com mestres construtores, pintores, municípios, entidades culturais e educativas, operadores turísticos e com apoio técnico do IPDT – Instituto Português de Desenvolvimento do Turismo. Um Plano de Salvaguarda já aprovado orientará as ações futuras de proteção e valorização deste património.

Símbolo maior da paisagem da Ria de Aveiro, o moliceiro distingue-se pelas pinturas características na proa e na ré — descritas pelo autor Jaime Vilar como “satíricas, humorísticas e eróticas, religiosas, românticas, brejeiras e pícaras, ou profissionais, morais e históricas”. Com cerca de 15 metros de comprimento, fundo plano e reduzido calado, estas embarcações eram capazes de navegar por zonas onde barcos de quilha não podiam passar.

Na década de 1970 existiam cerca de 3.000 moliceiros registados na ria. Hoje, subsistem apenas 50, metade dos quais dedicados à atividade turística nos canais urbanos — um dado que reforça a urgência da sua salvaguarda e a relevância da decisão agora tomada pela UNESCO.