Integrado na pitoresca aldeia de Lapa dos Dinheiros, em Seia, o Casas da Lapa – Nature & Spa Hotel ergue-se como um refúgio de luxo em plena Serra da Estrela, combinando o charme serrano com o conforto contemporâneo. Classificado com cinco estrelas, o boutique hotel é resultado de um projeto familiar que recuperou uma antiga casa do século XIX e um chalé de pastor, transformando-os num espaço onde o design moderno e a natureza coexistem em equilíbrio.
O hotel dispõe de 15 quartos e suites, todos com vistas deslumbrantes sobre o vale e ambientes distintos, marcados por materiais naturais como a madeira e a pedra. Entre as comodidades, destacam-se o spa com piscina interior e exterior aquecida, o restaurante de gastronomia local e sazonal, e uma vasta lista de serviços que incluem sauna, tratamentos de bem-estar, estacionamento gratuito, bicicletas disponíveis, babysitting e até uma estação de carregamento para veículos elétricos.
Reconhecido pela prestigiada distinção de uma Chave Michelin, o Casas da Lapa integra a restrita lista de cerca de 50 hotéis portugueses recomendados pelo Guia Michelin, posicionando-se entre as unidades que melhor representam o luxo autêntico e a hospitalidade de excelência em Portugal.
A convite da Analógica Media, o Jornal Opção Turismo visitou o hotel e conversou com Maria Manuel Silva, proprietária do Casas da Lapa, que partilhou a história por detrás do projeto, a filosofia de gestão e a importância de posicionar um hotel de montanha como referência no turismo nacional.
Com um percurso de duas décadas, as Casas da Lapa afirmam-se hoje como um refúgio de montanha onde o luxo e a natureza coexistem em harmonia. “O nosso cliente é urbano e sofisticado”, explica Maria Manuel Silva, proprietária da unidade. “São pessoas que trabalham muito e procuram um destino de descanso, com contacto próximo com a natureza.” Atualmente, metade dos hóspedes são estrangeiros, provenientes sobretudo de grandes cidades, o que reforça a projeção internacional do hotel e da própria região da Serra da Estrela como destino de turismo de bem-estar.

O projeto nasceu com apenas seis quartos e evoluiu gradualmente até se transformar num boutique hotel de cinco estrelas, preservando sempre o seu ADN: um retiro dentro de uma aldeia. “O aspeto diferenciador é o facto do hotel estar inserido na malha urbana de uma aldeia de montanha, dentro do Parque Natural da Serra da Estrela, o que permite um contacto muito próximo com a população e com a paisagem”, sublinha Maria Manuel Silva.
Com o selo de sustentabilidade ecológica, social e económica atribuído pelo Turismo de Portugal desde a primeira edição, a unidade aposta em práticas responsáveis, desde o uso de produtos locais até à contratação de colaboradores da comunidade. “Temos uma ligação real à comunidade. Participamos em associações locais e valorizamos a economia circular da região”, destaca a empresária.
A autenticidade do projeto reflete-se também na arquitetura. A casa-mãe, datada de 1832, foi cuidadosamente reabilitada, com novas estruturas construídas em substituição de edifícios sem valor arquitetónico. Atualmente, o conjunto integra cinco edifícios, incluindo spa, receção e suites, concebidos pelo arquiteto Jorge Teixeira Dias. “Optámos por uma arquitetura de baixo impacto paisagístico e elevada qualidade, que respeita a estética da aldeia”, afirma Maria Manuel Silva.
Com capacidade para 30 adultos, as Casas da Lapa destacam-se pela gestão cuidada e pelo crescimento sustentado. O investimento global no projeto rondou um milhão e meio de euros, financiado exclusivamente com capitais próprios e apoio bancário. “Nunca recorremos a fundos públicos”, nota Maria Manuel Silva, sublinhando a independência financeira que sempre caracterizou a unidade.
A recuperação do edifício principal começou em 2002 e o hotel abriu portas três anos depois, com apenas seis quartos. Desde então, a expansão foi feita de forma gradual, mantendo a essência e a escala humana que definem o conceito do alojamento. Atualmente, com 17 colaboradores a tempo inteiro, o hotel assegura operação durante todo o ano — uma raridade em destinos de montanha —, garantindo estabilidade e qualidade no serviço. “Não trabalhamos com extras, porque é difícil manter um padrão elevado sem uma equipa estável”, explica a proprietária.
Além da vertente de lazer, a unidade tem vindo a apostar no segmento corporate, com resultados positivos. “Quando as empresas conseguem ocupar o hotel em exclusivo, o impacto é muito melhor”, destaca Maria Manuel Silva, referindo atividades personalizadas como piqueniques, provas de vinhos ao pôr do sol e fogueiras na esplanada — experiências que têm registado forte procura.
Com a classificação atribuída pelo Turismo de Portugal, as Casas da Lapa cumprem um rigoroso conjunto de requisitos que vão desde a qualidade arquitetónica e dos serviços até à presença de receção 24 horas, spa, restaurante e piscinas interior e exterior. “É uma garantia de qualidade e profissionalismo para o cliente”, afirma.
A gestão da sazonalidade é outro ponto-chave na operação. O verão e o inverno marcam as épocas altas, enquanto a primavera e o outono são aproveitados para a realização de eventos corporativos e programas temáticos — como detox, relax ou yoga —, permitindo manter a ocupação e equilibrar o calendário de férias da equipa.
Com tarifas que variam entre 180 euros por noite em época baixa e 250 euros em períodos de maior procura, as Casas da Lapa mantêm uma política de preços estável, refletindo uma aposta na consistência e no valor da experiência, mais do que na sazonalidade. A taxa de ocupação oscila entre os 30% e os 95%, com uma média anual próxima dos 50% — números equilibrados para um destino de montanha com operação contínua ao longo do ano.
O público é diversificado, mas partilha um mesmo perfil: viajantes urbanos, entre os 35 e os 60 anos, que procuram um refúgio de tranquilidade e natureza. Cerca de metade dos hóspedes são estrangeiros, com destaque para espanhóis, franceses e alemães, seguidos por americanos, brasileiros, israelitas, belgas e holandeses.
Quanto ao futuro, a prioridade passa por consolidar a qualidade e ampliar a oferta de serviços. “Não queremos aumentar o número de quartos, mas sim melhorar a experiência que já oferecemos”, sublinha Maria Manuel Silva. Sem planos de expansão para outras regiões, o foco permanece firme na Lapa dos Dinheiros — onde o luxo discreto, o ritmo da serra e o cuidado com o detalhe se unem para redefinir o que significa descanso em plena natureza.




