O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) anuncia que, no seguimento da reunião realizada recentemente com o consórcio Newtour/MS Aviation se verificou uma abertura de diálogo que merece ser saudada. Contudo, persiste uma dificuldade estrutural determinante: o acesso a dados operacionais da empresa que são classificados como “confidenciais”.
No encontro, o SPAC expressou a sua total disponibilidade para colaborar com Newtour/MS Aviation e com a SATA Holding, de modo a construir soluções de futuro para a Azores Airlines, com todo o respeito e cuidado pela defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores e da Região Autónoma dos Açores.
Para o SPAC, não obstante esse cenário positivo, “mantém-se o bloqueio, por parte da SATA Holding, ao acesso a informação essencial como o número de Pilotos acionados em dias de férias ou folga, os custos globais dessas ativações e o custo agregado dos Pilotos em funções de formação, treino e verificação”.
O SPAC contesta que tais dados, relativos à gestão corrente da empresa, estejam à guarda de uma classificação de “confidencialidade” que impede uma negociação informada.
O Sindicato dos Pilotos alerta que esta falta de transparência pode comprometer o próprio processo de privatização da Azores Airlines, cujo prazo definido pela Comissão Europeia decorre até ao final de 2025, sob pena de encerramento da companhia, como tem vindo a ser admitido publicamente.
É importante alertar que a persistência de zonas de sombra pode ser mais ampla do que se queira admitir e, no limite, servir a narrativa de que seria menos gravoso para alguns deixar a empresa encerrar, levando consigo eventuais vestígios de má gestão e opções políticas pretéritas, do que privatizar sob escrutínio, arriscando trazer à luz factos incómodos e responsabilidades pelo “estado a que isto chegou”.
A abertura de canal de diálogo com a Newtour/MS Aviation e a SATA Holding é assim formalmente reconhecida, mas a sua concretização depende de acesso claro, integral e imediato à informação operativa.
“Sem esse conhecimento, não será possível aos Trabalhadores participar com eficácia na discussão de soluções de futuro para a Azores Airlines, tal como defende o Sindicato”, conclui o SPAS
O SPAC reitera, por fim, a sua disponibilidade para colaborar com todas as partes interessadas na construção de um processo de privatização transparente, sustentável e justo, respeitando os direitos e deveres de todos os envolvidos.





