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Sónia Regateiro: “A Solférias está a crescer, mas sem perder o foco nas pessoas”

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Após um verão desafiante, a Solférias prepara a nova época com reforço em destinos estratégicos, maior aposta tecnológica e uma visão que conjuga crescimento, inovação e proximidade com o trade.

A diretora comercial da Solférias, Sónia Regateiro, descreve o momento atual do operador turístico como “um misto de expansão, inovação e consolidação”. Em 2024, o operador reforçou destinos já consolidados, ampliou a oferta em mercados-chave e apostou em novas operações que prometem marcar o ano de 2025.

“Temos crescido em destinos que já operávamos. Este ano reforçámos bastante a Tunísia e o Egito, com a nova operação na Costa Norte, em El Alamein. Também aumentámos a capacidade em Cabo Verde, que se mantém como o nosso destino número um”, explica Sónia Regateiro.

Cabo Verde continua a liderar

Cabo Verde mantém-se no topo das preferências dos clientes e do portefólio da Solférias. “Há muitos anos que dizemos que não tem mais por onde crescer e acabamos sempre por encontrar forma de o fazer. É um destino que continua a afirmar-se ano após ano, com muitos repetidores e com novas opções de transporte que só vêm reforçar o interesse do mercado português”, sublinha.

Além da relação histórica com as cadeias hoteleiras Oasis Atlântico e RIU, a Solférias passou também a disponibilizar o Royal Horizon Ponta Sino, que amplia a oferta na Ilha do Sal. “Não é uma grande aposta isolada, mas vem acrescentar camas e opções de alojamento num destino onde a procura continua muito forte”, clarifica.

Verão exigente, mas com saldo positivo

O verão foi descrito por Sónia como “muito sofrido”, sobretudo nos meses de junho e julho, marcados por uma forte concorrência e campanhas agressivas de preços. “Foi um período difícil, com margens penalizadas, mas agosto acabou por compensar e dar-nos um verdadeiro balão de oxigénio. No global, o resultado foi positivo, ainda que com desafios acrescidos.”

Apesar do contexto competitivo, a diretora comercial sublinha que o planeamento das operações se mantém sólido e ajustado à procura. “O mês de agosto é, por natureza, o mês das férias dos portugueses e vende-se sempre bem. A diferença está na capacidade de adaptação e acompanhamento do mercado nos períodos mais instáveis.”

Egito: o destino que surpreende

Uma das apostas que mais entusiasmou a equipa da Solférias foi a Costa Norte do Egito, em El Alamein, um destino que está a ganhar destaque entre os agentes de viagens. “Recebemos um feedback excelente. É um destino fantástico, a quatro horas e meia de Lisboa, com praias de areia branca e mar azul-turquesa. Muitos agentes disseram-nos que parecia estarem nas Maldivas”, revela Sónia.

A operação, ainda em desenvolvimento, é vendida em regime de all inclusive, devido à escassa oferta fora dos resorts. A proximidade com Alexandria e o Cairo permite, no entanto, conjugar a experiência balnear com uma vertente cultural. “É um destino novo, com grande potencial, e acreditamos que vai continuar a crescer”, acrescenta.

Para 2025, a Solférias aposta também em Sharm el-Sheikh, retomando a operação com voos a partir do Porto. “Continuamos a sentir o estrangulamento do aeroporto de Lisboa, mas isso não nos impede de crescer. Sharm el-Sheikh será a grande novidade do ano, e já estamos a pensar em alternativas para 2027”, adianta.

Aprender com os desafios

Questionada sobre os casos de Saïdia e Enfidha, Sónia reconhece que foram operações com resultados diferentes, mas ambas importantes para aprendizagem. “Enfidha teve alguma dificuldade de promoção e de reconhecimento por parte do mercado. Saïdia, por outro lado, é um destino muito competitivo em preço, e acabou por ser penalizado quando surgiram opções semelhantes a maior distância”, analisa.

Diferenciação num mercado pequeno

Num mercado como o português, pequeno e competitivo, a diferenciação é, para Sónia, a única forma de crescer. “Há quem crie e há quem copie. Nós gostamos de criar. Procuramos destinos novos, produtos alternativos, e formas diferentes de apresentar a nossa oferta. Nem sempre é fácil — o mundo é pequeno e já há muita gente a fazer tudo — mas continuamos a procurar novas oportunidades a quatro ou cinco horas de Lisboa.”

Tecnologia e formação: as apostas do futuro

A Solférias tem vindo a investir fortemente na integração tecnológica, garantindo maior rapidez e eficiência nas reservas. “Hoje o cliente quer resposta imediata, e o agente precisa de confirmar na hora. As integrações com plataformas como Air Gateway ou Omnibus permitem essa agilidade”, explica.

Entre as novidades, destaca-se também um chat exclusivo para agentes de viagens, disponível no site da empresa. “É um canal direto com a nossa equipa, não é inteligência artificial. Apenas usamos IA para triagem do assunto, antes de encaminhar para o colega certo. É mais uma forma de manter a proximidade e facilitar o contacto”, refere.

Paralelamente, a empresa está a ultimar um novo website, totalmente redesenhado, que reunirá ferramentas de pesquisa mais intuitivas e uma área de formação dedicada. “Queremos disponibilizar as apresentações dos webinars e criar uma espécie de ‘Academia Solférias’, acessível a todo o trade”, anuncia.

Sustentabilidade em crescimento

A sustentabilidade é outro pilar em desenvolvimento. A Solférias está em processo de certificação Travelife e aposta na consciencialização interna e junto dos parceiros. “Tentamos ser o mais sustentáveis possível — reduzir papel, fazer triagem de resíduos e sensibilizar as equipas. É um tema cada vez mais relevante para todos”, afirma a diretora comercial.

Ainda assim, reconhece o desafio de trabalhar num setor que depende de transporte aéreo. “É ingrato falar de sustentabilidade num negócio que precisa de aviões, mas procuramos compensar através de boas práticas e de parcerias com unidades que partilham essa preocupação.”

Proximidade e formação contínua

Os roadshows e eventos anuais continuam a ser momentos-chave de contacto entre a Solférias e o trade. “São oportunidades de encontro, de formação e de celebração. O nosso evento de setembro é um agradecimento ao mercado depois de um verão intenso, e serve também para apresentar a nova linha de comunicação”, explica.

A empresa mantém ainda uma presença formativa ao longo de todo o ano, com webinars e oficinas das ideias, que percorrem o país com sessões dedicadas às principais operações charter e a destinos regulares. “Somos uma indústria de pessoas e serviços, e queremos que os agentes sintam sempre que têm uma cara e um contacto direto na Solférias, para qualquer situação, boa ou má.”

Um olhar para o futuro

Para Sónia Regateiro, o futuro da Solférias passa por uma empresa “mais tecnológica, mais eficiente e com mais tempo para servir melhor”. Mas há algo que não mudará: “Nunca vamos perder o foco nas pessoas. A equipa é a grande mais-valia da Solférias e o serviço tem de ser sempre de pessoas para pessoas.”

Entre os destinos que mais a surpreenderam recentemente, destaca a Costa Norte do Egito, que descreve como “um paraíso a quatro horas e meia de Lisboa”, e manifesta o desejo de voltar a programar Moçambique, destino com o qual mantém “uma ligação especial”.

E quando lhe pedimos uma palavra para definir a Solférias de 2025, a resposta surge sem hesitação:

“Fantástico.”