A Confederação do Turismo de Portugal (CTP) assinalou ontem, 29 de setembro, o Dia Mundial do Turismo 2025, no Tróia Design Hotel, com a conferência “Turismo é Portugal”.

Na sessão, o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, destacou a importância do setor como motor da economia nacional e revelou que a nova Estratégia Turismo 2035 será apresentada ainda este trimestre.

Segundo o governante, o documento irá assentar em três grandes objetivos: crescer em valor, crescer em coesão e crescer em competitividade. “O setor precisa de previsibilidade e consistência, e é isso que a nova estratégia vai garantir”, afirmou.

Pedro Machado sublinhou que Portugal deverá alcançar até 2035 um volume de 53 mil milhões de euros em receitas turísticas, o que poderá representar 20% do Produto Interno Bruto (PIB). Recordou ainda que o país já superou metas anteriormente definidas, atingindo em 2024 resultados que estavam previstos para 2027.

Entre os desafios para a próxima década, o secretário de Estado destacou a sustentabilidade ambiental, a adaptação às alterações climáticas e a integração da inteligência artificial no setor. “O turismo tem de ser capaz de responder a estas agenda globais, ao mesmo tempo que reforça a sua competitividade”, afirmou.

O governante salientou também o papel das acessibilidades e transportes no futuro do turismo em Portugal. Sublinhou que mais de 90% das chegadas ao país se fazem por via aérea, destacando a necessidade de reforçar a capacidade aeroportuária, mas também de investir na ferrovia, na rodovia e no transporte marítimo. Pedro Machado lembrou que a Delta Air Lines já anunciou novos voos diretos para o Porto a partir de 2026, o que reforça a internacionalização do destino.

“Se quisermos continuar a crescer até 2035, temos de ter consciência de que o transporte aéreo continua a ser decisivo, mas não podemos descurar as alternativas. A ferrovia, as ligações rodoviárias e o setor dos cruzeiros têm de ser parte da solução para garantir um turismo competitivo e sustentável”, referiu.

Pedro Machado anunciou igualmente que o Governo está a concluir a revisão do Regime Jurídico dos Empreendimentos Turísticos, que será simplificado para “reduzir burocracia, acelerar processos e dar maior estabilidade às empresas e investidores”.

Pedro Machado defendeu também uma reforma na articulação entre entidades regionais, agências de promoção externa e comunidades intermunicipais, alertando para o risco de dispersão estratégica. “Hoje podemos ter quase 30 estratégias diferentes de promoção territorial e internacional. Isso não serve a marca Portugal. Precisamos de convergência, nunca de fragmentação”, afirmou.

Sobre a descentralização, o titular da pasta do Turismo destacou que o crescimento do setor deve beneficiar todo o território, e não apenas os destinos mais maduros. “Temos empresários a investir em sítios menos prováveis, fora dos circuitos tradicionais, e isso é fundamental para garantir um crescimento mais equitativo”, afirmou. O secretário de Estado frisou ainda que a descentralização deve ser acompanhada de recursos: “Se o turismo gera 27,7 mil milhões de euros, uma parte dessa receita tem de regressar aos territórios, para reforçar a coesão e a confiança”.

O secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços sublinhou ainda que parte das receitas turísticas deve chegar aos territórios e às populações locais: “O país que recebe turistas tem de sentir vantagens. Esta receita tem de refletir-se nas pessoas, nas comunidades e nos territórios”.

Pedro Machado reiterou a importância do turismo como setor estruturante da economia portuguesa. “O turismo não quer canibalizar outros setores, quer puxar pela economia nacional. Cada turista que nos visita é também uma oportunidade de exportação dentro do país”, concluiu.