A Associação Portuguesa de Empresas de Congressos, Animação Turística e Eventos (APECATE) defendeu esta quinta-feira a criação de uma linha de apoio permanente destinada às microempresas do setor afetadas por incêndios, sublinhando a necessidade urgente de uma estratégia conjunta entre entidades oficiais e operadores turísticos no terreno.
“Estamos em contacto com a Secretaria de Estado do Turismo e com o Turismo de Portugal para avaliar a viabilidade de um mecanismo de apoio semelhante ao que existiu durante a pandemia ou após os grandes incêndios da Serra da Estrela”, afirmou António Marques Vidal, presidente da APECATE, em declarações à Lusa. “Este tipo de ferramenta deve existir de forma estrutural, porque o problema já não é pontual — com as alterações climáticas, Portugal inteiro está em risco”, acrescentou.
A associação alertou para o impacto direto dos incêndios em empresas de animação turística, sobretudo no interior do país, onde a maioria depende de atividades ligadas à natureza. “Quando há um fogo, o campo de atuação dessas empresas desaparece de um dia para o outro”, disse o responsável, acrescentando que este tipo de negócio é altamente vulnerável por ser constituído, em grande parte, por microempresas.
Em comunicado conjunto, a APECATE e a ALEP — Associação do Alojamento Local em Portugal — manifestaram “profunda preocupação” com os efeitos dos incêndios em destinos turísticos naturais como Ponte da Barca, Arouca, Nisa ou Santarém, onde vários percursos e equipamentos foram encerrados ou sofreram cancelamentos. As duas entidades pedem “a rápida ativação de medidas de apoio à tesouraria e linhas de crédito em condições especiais”, apelando ainda ao reforço da “prevenção ativa, gestão florestal integrada e articulação eficaz entre entidades públicas”.
António Marques Vidal alertou também para a ausência de colaboração entre organismos como o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e as autarquias. “As empresas e associações locais podem ser parceiras relevantes na prevenção de incêndios. Não basta ouvi-las — é preciso trabalhar em conjunto”, defendeu.
A associação afirma que este tipo de articulação já devia estar em curso há vários anos, nomeadamente em áreas como o Parque Nacional da Peneda-Gerês, onde continua a verificar-se uma “falta generalizada de comunicação” entre as entidades que gerem o território.





