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AM de Lisboa diz que não há excesso de turismo, mas propõe descentralização

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A Assembleia Municipal de Lisboa considera que a cidade não sofre de excesso de turismo, mas sim de uma distribuição desequilibrada e desregulada da atividade.

A conclusão consta de um relatório elaborado pela 2.ª Comissão Permanente de Economia, Inovação e Turismo, que recomenda uma estratégia de desconcentração, com aposta em zonas como Marvila, Beato, Ajuda ou Olivais.

O documento, com mais de 100 páginas, foi desenvolvido após cerca de 20 audições a entidades ligadas ao setor, entre as quais a Associação Turismo de Lisboa.

Segundo o relator Pedro Roque Domingues, “os dados disponíveis contrariam a ideia de excesso de turismo” e mostram que o problema está na concentração em zonas como Belém, Baixa-Chiado, Alfama ou Castelo. O relatório defende a criação de uma “cidade intermédia”, com potencial turístico ainda por explorar fora dos circuitos habituais.

Entre as principais conclusões, destaca-se a falta de sinalética para roteiros turísticos, a escassa cooperação entre os vários intervenientes do setor, a ausência de estudos atualizados sobre a carga turística na cidade e a dificuldade de acesso a equipamentos culturais devido a deficiências na rede de transportes públicos.

As recomendações incidem sobre vários eixos, incluindo mobilidade, bilhética, alojamento, sinalética e aplicação da Taxa Municipal Turística de Dormida. A maioria foi aprovada por unanimidade, embora algumas propostas tenham tido votos contra ou abstenções por parte do BE, PEV e PCP.

Entre as sugestões está o desenvolvimento de parcerias entre transportes públicos e monumentos, a promoção de ‘startups’ em zonas menos visitadas, e a criação de uma aplicação dedicada à descentralização turística. É também proposta a transformação do Torreão Poente da Praça do Comércio num espaço de divulgação de novas zonas da cidade.

No plano da mobilidade, o relatório sugere uma tarifa única entre Lisboa e o futuro Aeroporto Luís de Camões, a ser construído em Alcochete, bem como a definição de uma estratégia para mitigar os efeitos da atual capacidade do Aeroporto Humberto Delgado, que registou 35,1 milhões de passageiros em 2024.

Outras recomendações incluem a revisão da distribuição da taxa turística municipal, com maior transparência nos investimentos, e o desenvolvimento de um plano de mitigação dos impactos do turismo em Lisboa, assente em estudos atualizados e com visão de cidade.