Várias figuras políticas guineenses originárias do arquipélago das Bijagós manifestaram preocupação com os efeitos que o reconhecimento da região como Património Mundial Natural da UNESCO possa ter nas comunidades locais.
Dionísio Pereira, ex-ministro das Pescas e atual deputado, recorda que a zona já é Reserva da Biosfera e sítio Ramsar, mas que isso nunca se traduziu em melhorias para a população. Defende que deveria existir legislação própria e regras claras sobre pesca e uso dos recursos antes de avançar com o novo estatuto. Questiona ainda que medidas foram tomadas para lidar com riscos como a erosão costeira e a ausência de infraestruturas.
Francisco Conduto de Pina, ex-ministro do Turismo, teme o aumento da pressão turística e alerta para possíveis impactos negativos a nível económico e social, num território já vulnerável. Defende que é preciso garantir a proteção do património cultural e natural de forma equilibrada.
Quintino Rodrigues, antigo governador da região, reconhece a importância da distinção e acredita que pode aumentar a visibilidade do país, mas sublinha que as condições atuais são muito limitadas. Refere a dificuldade de circulação entre as ilhas e a escassez de serviços públicos como transporte, saúde e educação.
Atualmente, apenas duas ilhas têm liceus, não existem hospitais com meios de evacuação e só há um barco a ligar Bissau à ilha de Bubaque uma vez por semana. Também não existem bancos comerciais nem serviços formais de transferências.
A decisão da UNESCO sobre a candidatura das Bijagós será conhecida a 11 de julho, durante a 47.ª reunião do Comité do Património Mundial, que decorre em Paris até dia 16.






