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Agências de viagens entre a ameaça da IA e a oportunidade da reinvenção

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A próxima década vai redesenhar por completo o papel das agências de viagens. A previsão é traçada pelo relatório Omio 2035: Future Journeys, que aponta para o domínio de plataformas integradas com inteligência artificial, capazes de acompanhar o viajante desde a inspiração até ao regresso a casa, num processo contínuo, automático e hiperpersonalizado.

Segundo o relatório, as reservas deixarão de ser um ato isolado, passando a estar integradas num ecossistema onde os conteúdos inspiracionais e a ação convivem num só espaço digital. As plataformas OTA evoluirão para interfaces estilo Netflix, com vídeos, histórias e recomendações baseadas no perfil emocional e comportamental de cada utilizador. Com um simples gesto ou comando de voz, será possível reservar viagens de forma imediata, sem trocar de aplicação.

Neste novo paradigma, as agências de viagens enfrentam uma ameaça real de desintermediação. Funções hoje centrais, como planear itinerários, comparar preços ou reagendar voos, serão assumidas por assistentes digitais com acesso a dados em tempo real, que aprendem com os hábitos e preferências do viajante. A tecnologia permitirá ainda ajustes dinâmicos ao percurso, respostas automáticas a imprevistos e propostas de rotas mais sustentáveis ou baratas.

Contudo, nem tudo são ameaças. O relatório também identifica um conjunto de oportunidades para quem souber adaptar-se. Num ambiente onde o excesso de informação pode gerar ansiedade, a confiança e o aconselhamento humano ganham novo valor. As agências podem reposicionar-se como curadoras de experiências e facilitadoras de decisões conscientes, especialmente em segmentos que valorizam a empatia, o contacto pessoal ou a especialização (viagens temáticas, turismo sénior, luxo, grupos).

A crescente procura por viagens com propósito, menos massificadas e mais alinhadas com valores individuais, também abre caminho para novas formas de intermediação — mais focadas na autenticidade, na ligação ao destino e na sustentabilidade. Além disso, a própria transformação tecnológica oferece oportunidades: as agências poderão integrar-se nos ecossistemas digitais como parceiros locais, produtores de conteúdos ou operadores especializados, mantendo-se visíveis e relevantes.

Como conclui o relatório da Omio, “as viagens de 2035 serão definidas por quem somos, como nos sentimos e o impacto que queremos deixar no mundo”. Para as agências de viagens, o desafio está lançado: resistir à mudança ou reinventar-se como parte ativa do novo ecossistema digital do turismo.