Os tripulantes de cabine da easyJet em Espanha vão entrar em greve nos dias 25, 26 e 27 de junho, em plena temporada alta de verão. O protesto foi convocado pelo sindicato USO (Unión Sindical Obrera), que pretende ver as condições laborais e salariais dos trabalhadores em Espanha equiparadas às de outras bases europeias da companhia aérea.
A paralisação envolve 657 tripulantes de cabine (TCP), com impacto direto em 21 aeronaves baseadas nas cidades de Barcelona (143 trabalhadores), Alicante (106), Málaga (127) e Palma de Maiorca (281).
De acordo com o sindicato, o salário base atual em Espanha é de 14.067,08 euros anuais, sendo que cerca de 75% dos trabalhadores são contratados como fixos-discontinuados, com apenas nove meses de atividade e um salário base de 10.500 euros por ano. Em comparação com outras bases europeias da easyJet, as diferenças são substanciais: 29% mais em Portugal (18.214€), 35% em Itália, 67% no Reino Unido, 93% nos Países Baixos, 95% em França, 128% na Alemanha e mais de 200% na Suíça.
O sindicato aponta ainda que, apesar de o custo de vida em Espanha estar já próximo da média europeia, os salários continuam muito abaixo, agravando-se a situação em cidades como Palma de Maiorca, Málaga e Alicante — onde o mercado imobiliário é especialmente desafiante. Em alguns casos, membros da tripulação vivem em caravanas devido à escassez de alojamento a preços acessíveis.
“Lamentamos os transtornos para os passageiros, mas não nos deixam outra opção”, afirmou Pier Luigi Copello, secretário-geral da USO em easyJet Espanha.
Em resposta, a easyJet confirmou ter sido formalmente informada da greve e expressou “deceção com esta ação num momento tão crítico do ano”, sublinhando que apresentou “propostas salariais competitivas” e esperava um “diálogo construtivo”. A companhia garantiu ainda que a greve afetará apenas voos operados por aviões com base nas quatro cidades espanholas mencionadas, não impactando os voos com origem noutras bases europeias e britânicas.
A easyJet assegura que fará “todos os possíveis para minimizar o impacto nos planos de viagem dos passageiros”.






