A hotelaria nacional entra no verão de 2025 com otimismo cauteloso.
Segundo o inquérito “Balanço Páscoa e Perspetivas Verão 2025”, divulgado agora pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), apenas um terço dos estabelecimentos turísticos inquiridos reporta ter mais de metade da capacidade já reservada para os meses de verão.
Apesar da procura já consolidada em algumas regiões, como Algarve, Açores e Madeira, o setor continua a registar níveis de incerteza em relação à performance da época alta.
Páscoa positiva, apesar do mau tempo
A taxa de ocupação (TO) no fim de semana da Páscoa atingiu os 75%, com desempenhos positivos na Madeira (85%), Alentejo (77%) e Algarve (75%). Ainda assim, algumas regiões revelaram sinais de retração face ao ano passado, como o Oeste e Vale do Tejo, que desceu para 59% (face a 64% em 2024), e o Centro e Norte, com ligeiras quebras de 2 pontos percentuais, para 65% e 70%, respetivamente.
O preço médio por quarto (ARR) fixou-se nos 151€, mais 5% do que no período homólogo, com destaque para Lisboa (180€), Madeira (169€) e Alentejo (156€). O RevPAR mais elevado foi registado na Madeira e em Lisboa, com 144€. No total, 62% dos hoteleiros consideraram os proveitos da Páscoa “Melhores” face ao ano anterior.
Verão com reservas tímidas e foco no mercado nacional
Para o verão de 2025, 42% dos inquiridos acredita que a taxa de ocupação será superior à do ano passado, enquanto 63% estima um aumento do preço médio e 67% prevê subir os proveitos totais. No entanto, apenas 28% dos hoteleiros antecipam um aumento da estada média, com a maioria (67%) a prever que se mantenha igual.
Em termos de reservas, junho lidera com taxas entre 50% e 89%. Julho e setembro apresentam níveis entre os 20% e os 69%, enquanto agosto, habitualmente o mês mais forte, revela níveis mais contidos (20% a 49%).
O mercado nacional mantém-se central, citado por 76% dos inquiridos entre os três principais emissores. O Reino Unido (55%) e os EUA (45%) também se destacam. Na Madeira, o Reino Unido domina (97%), enquanto no Algarve a relevância de Espanha caiu significativamente (15% este ano, face a 55% em 2024). No Norte, a Alemanha também perdeu peso (62% este ano, contra 86% em 2024).
Canais de reserva: websites próprios ganham força
A Booking continua a ser o canal de reservas mais utilizado, citado por 95% dos hoteleiros. No entanto, os websites próprios estão a ganhar relevância (87% a nível nacional), sendo mesmo o canal principal nos Açores (93%), Alentejo (91%) e Península de Setúbal (100%). A Expedia destaca-se em Lisboa (69%) e no Norte (46%). Já as agências de viagens continuam com forte peso nas regiões autónomas e em Setúbal.
A hotelaria nacional avança, assim, para os meses de maior procura com uma leitura prudente do mercado, ancorada na antecipação da procura nacional, na expectativa de manutenção ou subida dos preços e na atenção às flutuações regionais.






