O antigo edifício das caves da Kopke, em Vila Nova de Gaia, deu lugar ao novo Tivoli Kopke Porto Gaia, um hotel de cinco estrelas que representa um investimento de 50 milhões de euros. Apesar do hotel ter aberto em fevereiro deste ano, a inauguração aconteceu ontem, dia 29 de maio.
O projeto reabilita cerca de 70% da estrutura original das caves, mantendo elementos históricos que reforçam o conceito vínico do hotel, e integra-se na estratégia da NH Hotel Group, detido pela Minor Hotels, para demarcar a presença da marca Tivoli na região Norte.
O hotel assume-se como uma extensão das históricas caves da Kopke, preservando elementos essenciais da estrutura original, como três das antigas naves, uma das quais era usada para armazenar vinho.
Atualmente, o hotel ainda mantém 2,5 milhões de litros de vinho do Porto armazenados nas duas naves adjacentes, sendo que têm sido utilizadas para eventos e jantares privados, com capacidade para 300 pessoas sentadas. A última nave foi reconvertida para alojamento. Ao mesmo tempo, foi construída de raiz uma zona central onde se localiza a receção, que funciona como coluna vertebral do projeto.
Francisco Viana Brito, diretor geral da unidade, sublinha a singularidade do projeto: “Não é todos os dias que se transforma uma cave de vinho num hotel. Aqui, conseguimos ligar a parte alta de Gaia à marginal. Dentro do próprio hotel, conseguimos descer até à zona ribeirinha.”
O segmento MICE representa uma fatia significativa da operação, embora o hotel receba também muitos hóspedes em lazer, com especial incidência nos mercados dos Estados Unidos da América, Espanha e Brasil. O mercado português tem surpreendido pela positiva, com bons níveis de procura apesar das tarifas elevadas: “Não esperávamos tanto pelos preços que praticamos, para o poder de compra, mas estamos a ter uma boa aceitação. Está a surpreender”.
O preço médio/quarto ronda os 400 euros por noite, com estadias médias entre duas e três noites. O hotel abriu com uma equipa de cerca de 100 colaboradores, número que varia conforme a ocupação, sobretudo nas áreas de eventos e housekeeping.
A marca Tivoli, pertencente à Minor Hotels, continua assim a expandir-se no Porto, depois do Tivoli Avenida Aliados. “O Tivoli adapta-se ao local onde está. Todos os hotéis da marca têm uma identidade própria”, refere o diretor do hotel. “Neste caso, a ligação à Kopke é um elemento diferenciador que acrescenta autenticidade ao conceito.”
Ao restaurante foi dado o nome de “1638 Restaurant & Wine Bar by Nacho Manzano”, numa homenagem ao ano de fundação da Kopke. Acrescente-se que Nacho Manzano, chef asturiano que soma quatro estrelas Michelin, é o responsável pelo conceito gastronómico. A oferta divide-se entre fine dining, casual dining e banquetes, e a sua equipa esteve no Porto dois meses antes da abertura para formar a equipa local.
Segundo o diretor geral, o chef Nacho Manzano encontrou no Porto um ambiente que lhe recorda as Astúrias, com rio, mar e montanha. A cozinha asturiana encaixa-se bem na gastronomia atlântica e nos produtos locais, sem pretensões de replicar o restaurante original.
O projeto do Tivoli Kopke Porto Gaia foi idealizado em 2018, mas só arrancou efetivamente com a construção em 2021. A nova unidade hoteleira dispõe de 150 unidades de alojamento de diferentes tipologias.
Para além disso, o hotel conta com 14 tipologias unidades de alojamento, que se distribuem por deluxe, riverview, premium, junior suites e suites, algumas com terraços ou varandas elevadas.
Apesar de ter aberto em fevereiro — um mês tradicionalmente fraco — o hotel teve uma performance acima das expectativas, muito graças à confiança dos clientes B2B que apostaram na unidade antes mesmo da inauguração. A Páscoa não teve grande impacto, mas as previsões para agosto, setembro e outubro são positivas.
Para Francisco Viana Brito, a localização e o conceito são dois dos principais trunfos: “Este lado de Gaia está a ser bem recebido. A vista é imbatível e rapidamente se chega à zona histórica do Grande Porto E temos todas as condições para criar um verdadeiro polo de cinco estrelas para eventos, com várias unidades a curta distância umas das outras.”
No fundo, este é um projeto onde a marca Kopke e a marca Tivoli se complementam. “A Kopke traz autenticidade, antiguidade e diferenciação. A Tivoli tem um nome forte na hotelaria e é associada a uma experiência com um certo nível. O Tivoli sem a Kopke não era a mesma coisa, e a Kopke sem o Tivoli também não”, conclui Francisco Viana Brito.





