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Massa Candé: “A Guiné-Bissau está a passar por um renascimento”

Acompanhado pelo empresário guineense Adelino da Costa e pelo ex-Governador de Bijagós e atual Diretor da Escola Nacional de Hotelaria e Turismo, Fernando Ié, o Diretor Geral do Turismo da Guiné-Bissau, Massa Candé, atualmente de visita a Portugal, oferece-nos a sua visão para o destino, que pretende atraia turistas que, sobretudo, partilhem da preocupação de preservar a exclusividade, o meio ambiente, a autenticidade e as comunidades residentes.

Opção Turismo: Quais os principais objetivos desta sua visita a Portugal?

Massa Candé: Estamos aqui para desenvolver parcerias estratégicas com diversas instituições, designadamente escolas de turismo, como a ESHTE (Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril), com quem acabamos de reunir. Este é o lançamento de uma nova era de viagens de Portugal para a Guiné-Bissau. Encontrarmo-nos cara a cara promove a confiança e uma melhor compreensão do produto extraordinário que temos a oferecer aos investidores portugueses e viajantes do mundo.

Opção Turismo: Qual a importância dada ao Turismo pelo Governo?

Massa Candé: Juntamente com a agricultura e a pesca, o turismo é uma das três prioridades do desenvolvimento e ressurgimento da Guiné-Bissau no mercado mundial. A nossa presença aqui em Portugal hoje, bem como as parcerias diretas que temos vindo a desenvolver com a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), demonstram o nosso foco em reunir o setor público e privado para priorizar o desenvolvimento da indústria do turismo da Guiné. No país, estamos a alocar recursos significativos para melhorar e facilitar as viagens para a Guiné, sendo que não procuramos volume, mas sim visitantes que se identifiquem com a nossa paixão pela natureza, pela cultura, pela identidade das comunidades e pela nossa autenticidade.

Opção Turismo: Quais são as principais ações da vossa estratégia de promoção do turismo?

Massa Candé: Os recursos são ainda algo limitados, pelo que a nossa promoção turística em Portugal, até ao momento, tem sido a nossa participação na BTL. Também temos construído relacionamentos e procurado todas as formas de divulgação da media, para reformular a reputação da Guiné como o Caribe da África Ocidental e da Europa. Dado o nosso clima tropical e a proximidade das nossas ilhas com os nossos vizinhos, é muito importante que investidores e turistas conheçam melhor o nosso produto.

Na foto, da esquerda para a direita, Adelino da Costa (empresário), Massa Candé (Diretor Geral do Turismo da Guiné Bissau), e Fernando Ié, (Diretor da Escola Nacional de Hotelaria e Turismo).

Opção Turismo: Quais os principais desafios que a Guiné-Bissau enfrenta, enquanto destino de turismo?

Massa Candé: O maior desafio, para que possamos afirmar-nos como destino turístico, é o facto de a Guiné ser ainda é vista como um país em dificuldades do passado. É nossa responsabilidade reparar e modernizar a nossa imagem em toda a região e em todo o mundo. A verdade é que a Guiné-Bissau está numa era renascentista.

Opção Turismo: Há ainda uma percepção de falta de segurança na Guiné-Bissau…

Massa Candé: É uma perceção errónea, a de que a Guiné-Bissau não é segura. O que podemos e devemos dizer é que a Guiné é um país muito seguro para os turistas. Isto é um facto. A nossa cultura é calorosa e acolhedora, e as nossas ruas são tão ou mais seguras do que a maioria dos destinos do mundo, sobretudo por causa do estilo de vida espiritual e das práticas do povo guineense.

Opção Turismo: O arquipélago dos Bijagós tem sido destacado como a principal marca turística da Guiné-Bissau. Quais são os planos específicos para desenvolver essa região?

Massa Candé: Bijagós é o paraíso privado da Guiné-Bissau na Terra. Graças às comunidades tribais que vivem lá há séculos, o ambiente e a comunidade estão perfeitamente preservados e não foram superdesenvolvidos. O nosso plano é modernizar o transporte, incluindo um pequeno aeroporto, consertar as estradas, trazer investidores e promovê-lo como o primeiro destino insular exclusivo da África Ocidental. É importante ressaltar que isto passa por trabalhar com as comunidades locais para encontrar o equilíbrio perfeito entre preservação e desenvolvimento.

Opção Turismo: Quais são os principais desafios de infraestrutura que o país enfrenta para receber turistas e o que está a ser feito?

Massa Candé: Muito simplesmente, atualmente estamos a atualizar a infraestrutura para tornar as viagens para a Guiné-Bissau tão perfeitas e agradáveis quanto possível. O maior obstáculo são os investidores que querem apostar apenas nas fases iniciais do desenvolvimento. Estamos no entanto muito mais perto do que no passado, já que o interesse em Bijagós, como destino turístico, e também os negócios internacionais em Bissau, estão a crescer rapidamente.

Opção Turismo: E além dos Bijagós, que outros destinos da Guiné-Bissau destacaria no âmbito da Natureza?

Massa Candé: Além de Bijagós, a Guiné-Bissau tem três destinos turísticos naturais inestimáveis. O Parque Nacional de Kantanez, o Parque Nacional Cacheau e a Lagoa de Cufada. Esses destinos são muito menos visitados, e estamos a trabalhar com as comunidades para preservar o meio ambiente, incluindo a limitação da poluição da água, a proteção dos manguezais e o respeito pelos aldeões locais, à medida que melhoramos o acesso a esses locais mais remotos.

Opção Turismo: O governo está a tentar atrair investimentos de algum país específico?

Massa Candé: A Guiné-Bissau está muito interessada em criar parcerias estratégicas com Portugal, Europa Ocidental e África Ocidental, tanto por meio de capital público quanto privado. Todas as três regiões fazem sentido do ponto de vista estratégico, dada a nossa proximidade geográfica e laços históricos, especialmente com as nações de língua portuguesa. Os investimentos portugueses especificamente têm crescido passo a passo, e a visita desta nossa delegação é  um aprofundamento deste crescente relacionamento.

Opção Turismo: Quais são os mercados emissores de turistas a que atribuem mais importância?

Massa Candé: Portugal e PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) são mercados muito importantes para nós. Outros mercados que estamos a analisar e que nos merecem toda a atenção, pelo seu potencial, incluem Espanha, Itália, França, Alemanha, CEDAEO e EUA.

Opção Turismo: Em relação a Portugal, têm procurado o apoio e interesse dos operadores turísticos?

Massa Candé: Um dos principais objetivos desta visita é coletar dados que nos ajudarão a planear melhor ações estratégicas de promoção para atrair agências de viagens e operadores turísticos portugueses. Em seguida, planeamos criar um plano de viagem específico para estes profissionais e convidá-los a visitar o nosso país.

Opção Turismo: Tendo em conta que a Guiné-Bissau não é um destino de massas, que tipo de turista visam?

Massa Candé: A Guiné-Bissau é uma pequena joia na costa da África Ocidental. Não pretendemos turismo de massas, nem desenvolver demais a nossa bela nação espiritual natural. O nosso plano é desenvolver estrategicamente um nicho de mercado de ecoturismo boutique e preservar estritamente os nossos recursos naturais, cultura e, ao fazê-lo, preservar o nosso maior bem, o nosso povo. Os nossos clientes-alvo são aqueles turistas que apreciam um produto único. Não precisam ser milionários, mas apreciar o meio ambiente, a praia, a cultura e a espiritualidade. E, sobretudo, preocupar-se em preservar essa exclusividade, o meio ambiente e a população.

Opção Turismo: Alguma mensagem final?

Massa Candé: A Guiné-Bissau está a passar por um renascimento, que é possível sentir no ar e nos investimentos, diretamente nas ruas. Agora é a hora de criar condições para criar melhores locais, melhores preços e uma variedade de oportunidades que o setor turístico nos pode oferecer. Estamos à procura de parceiros que compartilhem a nossa intenção e filosofia. Aguardamos ansiosamente a visita dos leitores com as nossas calorosas e hospitaleiras boas-vindas.