Início principal Duarte Correia: easyJet para Cabo Verde é “a grande oportunidade”

Duarte Correia: easyJet para Cabo Verde é “a grande oportunidade”

15MAI24 – Ainda sobre o anúncio do início de operações da easyJet entre Portugal e Cabo Verde (Sal), fomos ouvir Duarte Correia, homem de turismo com vasta experiência na distribuição, hotelaria, quer em Portugal como em Cabo Verde.

Opção Turismo – Como recebeu a notícia do início de operações da easyJet para Cabo Verde?

Duarte Correia – É uma excelente notícia! Vem quebrar o monopólio que existia à partida de Lisboa, por parte da TAP, e até do resto da Europa, que existia com os voos da TUI. Cabo Verde pode finalmente respirar fundo, pode aspirar a conquistar alguma independência, isto a partir do momento em que se iniciarem estes voos da easyJet. Serão, desde logo, vários operadores a encher os aviões da easyJet, a começar pelos portugueses. Mas significa o fim do monopólio da TAP nessa linha. 

Opção Turismo – E para Portugal?

Duarte Correia – É muito positivo, não só para Cabo Verde, mas também para os portugueses, porque as agências vão poder oferecer aos seus clientes um pacote mais acessível para a ilha do Sal. Não sei se vão ficar por aqui, ou se vão depois voar para outros destinos no arquipélago, como São Vicente, Praia ou a Boavista, o que faria todo o sentido. Cabo Verde não é o Sal e o Sal não é Cabo Verde.

Opção Turismo – Não se pode considerar uma ameaça à Operação Turística?

Duarte Correia – Não. Julgo mesmo que é a grande oportunidade para a Tour Operação portuguesa, porque vamos ter pacotes dinâmicos, em que o agente de viagens vai poder escolher a companhia aérea e o hotel, fazer o combinado e vender aos seus clientes. Julgo que vão continuar as operações charter, provavelmente em menor escala, mas vem trazer às agências de viagens uma nova dinâmica. Vamos ter pacotes dinâmicos à venda no mercado, essa é a grande mudança.

Opção Turismo – E conseguem montar isso com a EasyJet?

Duarte Correia – A easyJet é mais friendly que outras companhias aéreas low cost. Se fosse a Ryanair, não havia possibilidade de diálogo. Com a easyJet é mais fácil o diálogo, mas, no entanto, não deixam de ser uma low cost, com regras muito próprias. Obviamente quem vender um pacote dinâmico com a easyJet, vai ficar responsável pela cobertura de todos os riscos. Tudo depende dos acordos que forem feitos em termos de allotments, mas por vezes eles saltam fora das responsabilidades e isso deixa os problemas nas mãos de quem vende os pacotes dinâmicos. Há que ter isso em atenção.