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Frédéric Frère (Travelstore): Volume de negócios no ano passado cresceu 38% acima de 2019

13MAI24 – Compensar as margens “muito baixas” e reter talento são alguns dos desafios para as agências do segmento corporate, a par da corrida para a Inteligência Artificial (IA) e a Sustentabilidade.  Na opinião do CEO do Grupo Travestore, em entrevista ao Opção Turismo, “quem não os endereça fica fora da corrida!”. 

Opção Turismo – Como avalia 2023 para o vosso negócio Corporate?

Frédéric Frère Em 2023, conseguimos já ultrapassar em 16% os níveis de 2029, a nível do número de transações processadas no negócio de viagens de negócios (Travelstore American Express GBT). 

Opção Turismo – Qual o volume de faturação em 2023?

Frédéric Frère O volume de negócio cresceu de forma significativa ficando 38% acima de 2019. Esse crescimento explica-se em grande parte por via do aumento da quota de mercado do grupo assim como do impacto da inflação sobre os preços praticados pela maioria dos fornecedores da indústria. 

Opção Turismo – Este ano, como está a correr o primeiro trimestre e quais as perspetivas para o resto de 2024?

Frédéric Frère O primeiro trimestre registou um crescimento bastante positivo e, apesar das incertezas geopolíticas recorrentes, que podem sem provocar uma quebra na atividade, temos previsto manter um bom ritmo de crescimento face ao ano anterior.

Opção Turismo – Quais os principais desafios que enfrenta a atividade das TMC?

Frédéric Frère De uma forma geral, um dos principais desafios é conseguir compensar as margens muito baixas do negócio com ganhos de eficiência e produtividade, os quais dependem em grande parte da tecnologia. É, portanto, um negócio que requer um investimento relevante nessa área mas que ao mesmo tempo continua a depender muito da intervenção humana, sendo que esta deve ser cada vez melhor e demonstrar valor acrescentado em relação à robótica.
A esse propósito, outro desafio importante é, por um lado, o da retenção de talento, mas por outro lado, o da captação de talento que, como sabemos, tende em ser cada vez mais escasso. Para endereçar estes desafios, as grandes TMCs internacionais tendem em se concentrar e as pequenas e médias a se especializar. 

Opção Turismo – E relativamente ao setor?

Frédéric Frère A grande tendência atual é sem dúvida a corrida para a IA. Todas as empresas são conscientes dos benefícios que a tecnologia, em particular a Inteligência Artificial, lhes pode trazer, tanto a nível da eficiência operacional como na qualidade do serviço prestado.
Outra tendência incontornável tem sido a corrida à sustentabilidade e aos compromissos ESG. Todo o ecossistema empresarial, pelo menos grandes e médias empresas, colocou esses compromissos no topo das suas prioridades pelo que quem não os endereça fica fora da corrida. 

Opção Turismo – As reuniões online ganharam ainda mais expressão durante a pandemia. Este foi um comportamento que veio para ficar? De que forma afeta o negócio das TMCs?

Frédéric Frère As reuniões online vieram certamente para ficar, mas afetam marginalmente a indústria das viagens porque acabam por ser um estimulo muito eficiente para que as pessoas tenham que se encontrar presencialmente a certa altura. Tal como antigamente se tinha uma conversa telefónica antes de passar para a etapa seguinte da reunião, agora temos uma primeira conversa online a qual muitas vezes acelera a necessidade de uma reunião presencial. Felizmente as reuniões online permitem um grande ganho de eficiência evitando tempo de deslocação, mas a pandemia veio também demonstrar que o contacto presencial é de muito maior qualidade do que o contacto virtual. O que há sim é uma alteração dos motivos pelos quais viajamos. Já não o fazemos para conseguir falar com outras pessoas mas sim para estar com outras pessoas, seja em contextos individuais ou cada vez mais num contexto mais coletivo.  

Opção Turismo –
Há hoje maior preocupação, por parte dos clientes empresariais, na definição de políticas e regras bem definidas para as viagens dos seus quadros? De que forma tem a Travelstore lidado com essa maior exigência?

Frédéric Frère Essa expectativa dos clientes tem sido um dos pilares da proposta de valor da Travelstore American Express GBT desde o início da sua atividade. A empresa tem tido sempre a preocupação de se definirem regras e de se cumprirem as mesmas, mas estas têm vindo a evoluir com uma alteração das prioridades. Enquanto no passado, as empresas se focavam quase exclusivamente na redução dos custos, atualmente procuram a otimização dos custos, mas muito menos em detrimento da qualidade de vida dos seus colaboradores.

Opção Turismo – A Travelstore tem também unidades de negócio para as farmacêuticas, para os eventos corporativos, para as viagens de lazer exclusivas. Qual tem sido a evolução de cada uma destas atividades e qual a que está a ganhar maior peso relativo no grupo?

Frédéric Frère O grupo Travelstore é um grupo multi-especialista que agrega unidades de negócio e empresas com elevado grau de autonomia, cada uma dispondo de uma proposta de valor diferenciadora para conseguir competir com os melhores nos seus respetivos mercados e segmentos de negócio. Os negócios de organização de eventos têm ganho um peso cada vez maior no grupo e estão a aproximar o equilíbrio, na comparação com as unidades de viagens, essencialmente a gestão de viagens de negócio. A unidade de viagens à medida não tem a pretensão de ser “a maior” mas sim “a melhor”, pelo que não nos preocupa muito a sua dimensão mas sobretudo a sua capacidade de entregar um serviço de excelência aos mais exigentes.

Opção Turismo – E no que diz respeito às vossas operações fora de Portugal, designadamente em Angola e Moçambique, que resultados tiveram em 2023 e como está a correr este início de ano, bem como as perspetivas para 2024?

Frédéric Frère Os nossos mercados internacionais continuam a registar desempenhos muito positivos e estão em franco crescimento. A nossa ambição mantém-se elevada mesmo que estejamos sempre preparados para lidar com ciclos económicos por vezes voláteis.