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Não encontro uma só vantagem na utilização de Beja

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Face ao que tem vindo a acontecer no Aeroporto Internacional Humberto Delgado, em Lisboa, nomeadamente nos últimos meses, transformando uma viagem que podia ser encerrada com ‘chave de ouro’, numa vontade de não mais querer viajar ou vir a Portugal, o jornal Opção Turismo quis saber o que pensam os agentes de viagem e como pensam sobre a maneira de ultrapassar o que se está a passar.

Depois destas perguntas terem sido feitas e respondidas, surgiu todo aquele imbróglio que todos sabemos, ficando tudo em “águas de bacalhau”, como se costuma dizer. Portanto…

Hoje, tem a palavra José Manuel Antunes, director geral da Sonhando

Opção Turismo – Como é sabido e em bom português, o Aeroporto Internacional de Lisboa, está a rebentar pelas costuras, passe a expressão, correndo o risco de até se transformar em algo “anti turismo” (entenda-se apenas como um ‘travão’ à vinda de turistas estrangeiros) em breve como já disse um dos nossos governantes. Considera que obras futuras de ampliação/modernização – por exemplo, aproveitando o Figo Maduro – podem resolver temporariamente a situação até à construção de um novo aeroporto na região de Lisboa (Montijo, Alcochete, …)? Porquê?

José Manuel Antunes – Todas essas eventuais medidas paliativas serão remendos com pouco impacto.

Sabemos agora que o Governo pretende dotar o Montijo de mais uma pista enquanto vai levar longos 14 anos a construir Alcochete. Como é obvio a situação intermédio do Montijo pode ajudar no máximo dois anos e depois na década seguinte teremos novamente uma longa estagnação, que pode ter como consequência mais grave o regredir devido a criarmos a ideia que Lisboa não suporta mais turistas.

Opção Turismo – Enquanto o novo aeroporto não for uma realidade, porque não aproveitar o aeroporto/aeródromo de Tires, Cascais, deslocando para lá, por exemplo, as low cost? E porque não os voos charter? Qual a sua opinião?

José Manuel AntunesSegundo julgo saber o Aeroporto de Tires não comporta aviões acima dos Embraer o que põe de parte a sua utilização para voos charter e low cost, que operam normalmente com A320 e B737 nos médios cursos e com A330 E B767 nos longos cursos.

O que não se tem dito é que a torre de controle de tráfico aéreo de Lisboa está obsoleta, o que provoca que se faça muito menos movimentos na Portela dos que poderiam ser feitos. Essa modernização poderia demorar, no máximo, dois anos e assim dar um contributo deveras valioso para ampliar a capacidade do Aeroporto de Lisboa.

Opção Turismo – Portugal tem em Beja o que se pode chamar de um aeroporto “fantasma” que está praticamente sem quaisquer operações. Porque não utilizá-lo como alternativa a Lisboa? Em seu entender quais os prós e os contras para, por exemplo, operações charter?

José Manuel AntunesA ideia de fazer os voos charter a partir de Beja é absurda.

As operações charter em Portugal são realizadas com tipos de aviões diferentes e até com companhias aéreas distintas, consoante os destinos operados. Dou o exemplo da Sonhando este Verão. Operamos com um A320 da Nouvelair os voos da Tunísia, com um A321 da SATA os voos de Porto Santo e com o A330 da Orbest o Varadero e com o B767 da euroAtlantic o Dili.

O que se iria gastar em posicionamentos em vazio seria uma fortuna que inviabiliza completamente as operações.

Acresce que uma boa parte das operações são realizadas em W, exatamente para evitar o custo do posicionamento quando se fazem os voos a partir do Porto. Exemplo: LIS PXO OPO PXO LIS. 

Numa enorme parte dos casos as operações charter são realizadas com aeronaves que estão a fazer voos regulares e que nos intervalos realizam os charters. Claro que esses voos regulares são para Lisboa e não para Beja.

A imensa maioria dos clientes das operações charter habitam a norte do rio Tejo. Um número muito significativo nos distritos de Santarém, Leiria e Castelo Branco o que agrava a situação da distância de Beja, que já da Grande Lisboa é incomportável.

Por fim, a gare do aeroporto tem capacidade apenas até 250 passageiros. Como iriam resolver com os charters realizados com o A330 (388 pax) e B767 (338 pax)?

Sinceramente, que não consigo encontrar uma só vantagem na utilização de Beja. Nem económica, nem operacional.

Opção Turismo – Há alguns anos atrás, falou-se também como alternativas a Lisboa, a utilização da Base Aérea de Monte Real ou a construção (certamente apoiada pela Igreja) de um novo aeroporto em Fátima, justificando o fluxo de turismo religioso. O que acha sobre a viabilidade destas hipóteses?

José Manuel AntunesSomos um país pobre e de pequena dimensão geográfica. Para ‘elefantes brancos’, já nos basta Beja.

Opção Turismo – Como agente de viagens e operador turístico o que considera que se pode fazer quanto a este assunto (falta de capacidade geral do aeroporto Humberto Delgado e alternativas)?

José Manuel AntunesOs operadores portugueses têm que ser tratados em pé de igualdade com os outros setores da atividade turística. 

Os ‘slots’ têm que ser mitigados e distribuídos equitativamente por todos os setores que utilizam o Aeroporto Humberto Delgado.
Se é certo que a vinda de turistas a Portugal é muito importante para a economia do país, tampem é verdade que os portugueses têm todo o direito de fazer as suas férias com a comodidade inerente aos períodos de lazer. Não faz nenhum sentido que, para receber uns quantos mais voos de ‘low cost’ com turismo muito barato, se obriguem todos os portugueses ao sacrifício de se terem que deslocar para Beja. Isso esta fora de questão!

LM