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Pedro Costa Ferreira: “O momento atual é dramático

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Face ao que tem vindo a acontecer no Aeroporto Internacional Humberto Delgado, em Lisboa, nomeadamente nos últimos meses, transformando uma viagem que podia ser encerrada com ‘chave de ouro’, numa vontade de não mais querer viajar ou vir a Portugal, o jornal Opção Turismo quis saber o que pensam os agentes de viagem e como pensam sobre a maneira de ultrapassar o que se está a passar.

Hoje, tem a palavra Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT

Opção Turismo – Como é sabido e em bom português, o Aeroporto Internacional de Lisboa, está a rebentar pelas costuras, passe a expressão, correndo o risco de até se transformar em algo “anti turismo” (entenda-se apenas como um ‘travão’ à vinda de turistas estrangeiros) em breve como já disse um dos nossos governantes. Considera que obras futuras de ampliação/modernização – por exemplo, aproveitando o Figo Maduro – podem resolver temporariamente a situação até à construção de um novo aeroporto na região de Lisboa (Montijo, Alcochete, …)? Porquê?

Pedro Costa FerreiraO momento atual é dramático. Primeiro, o aeroporto está nos limites, dificultando o crescimento; segundo, não há decisão tomada, longe disso, acerca de uma solução e longo prazo; e, terceiro, todos sabemos que, mesmo depois de tomada a decisão, teremos sempre anos à nossa frente até a solução ser implementada.

Deste modo, a melhoria das condições operacionais do aeroporto da Portela parece-nos, de todo em todo, decisão mais próxima da obtenção de vantagens concretas e objetivas, em todo o processo.

Julgo que será fundamental implementar o novo sistema de gestão do espaço aéreo que há anos foi comprado pela NAV, e que permitiria aumentar significativamente a capacidade operacional do aeroporto da Portela.

Para que tal aconteça, sim, são também necessárias obras físicas no aeroporto. Que saibamos, a ANA concorda com elas e está capacitada financeiramente para o fazer.

Falta decidir em conformidade…

Opção Turismo – Enquanto o novo aeroporto não for uma realidade, porque não aproveitar o aeroporto/aeródromo de Tires, Cascais, deslocando para lá, por exemplo, as low cost? E porque não os voos charter? Qual a sua opinião?

Pedro Costa FerreiraNão tenho conhecimentos que me permitam responder à pergunta.

Opção Turismo – Portugal tem em Beja o que se pode chamar de um aeroporto “fantasma” que está praticamente sem quaisquer operações. Porque não utilizá-lo como alternativa a Lisboa? Em seu entender quais os prós e os contras para, por exemplo, operações charter?

Pedro Costa FerreiraO aeroporto de Beja, do ponto de vista operacional, tem a capacidade e flexibilidade necessárias para a realização de voos charter, ou outros.

Contudo, existem restrições económicas difíceis de ultrapassar.

No que concerne às restrições difíceis de ultrapassar, o presidente da APAVT aponta, por exemplo:

  1. A questão da resistência da procura. Localizada maioritariamente em Lisboa e a norte de Lisboa, fica mais difícil e mais caro, ir apanhar o voo a Beja.
  2. A realização de voos charter envolve uma afinada utilização do avião, existindo questões importantes relacionadas com a sua “localização”. Um avião estacionado em Lisboa, provoca empty legs importantes para operar a partir de Beja, cada vez que é utilizado. Por outro lado, estacionar o avião em Beja provoca a necessidade de ele ser integralmente utilizado, ao longo da semana, para voos charter…
  3. Acresce que muitas rotas charter, têm importante concorrência em voo regular… à saída de Lisboa!

Pedro Costa Ferreira salienta ainda que os desafios são grandes, existem constrangimentos económicos muito significativos, que, não impedindo operações de Beja, as tornam claramente mais difíceis de conceber e operar.

Opção Turismo – Há alguns anos atrás, falou-se também como alternativas a Lisboa, a utilização da Base Aérea de Monte Real ou a construção (certamente apoiada pela Igreja) de um novo aeroporto em Fátima, justificando o fluxo de turismo religioso. O que acha sobre a viabilidade destas hipóteses?

Pedro Costa FerreiraNão sou especialista, nunca comentámos soluções técnicas, apenas alertámos para a necessidade de uma decisão ser tomada.

Opção Turismo – Como agente de viagens e operador turístico o que considera que se pode fazer quanto a este assunto (falta de capacidade geral do aeroporto Humberto Delgado e alternativas)?

Pedro Costa FerreiraJulgo que deveríamos ser práticos e objetivos, tudo o que não temos tido dos políticos, neste dossier (estou a referir-me aos políticos em geral, não apenas ao Governo)

Apoiar soluções de melhoria operacional em Lisboa, tentando ganhar tempo e lutando contra a degradação da capacidade de resposta de Lisboa; tomar uma decisão sobre a solução aeroportuária necessária e iniciar as obras.

Parece simples…

Opção Turismo – Como presidente da APAVT e sabendo praticamente o que os operadores querem – embora hajam soluções utópicas propostas – gostaria que nos dissesse afinal e concretamente quais os desejos dos operadores, logicamente associados da APAVT

Pedro Costa FerreiraOs operadores desejam ter condições normais para exercerem a atividade.

Não querem perder ‘slots’ em rotas que trabalham há anos e anos; não querem que os clientes, à partida ou à chegada, não tenham condições para terem uma experiência agradável de viagem; não querem viver sem poderem responder a novas necessidades da procura, por razões que se prendem única e exclusivamente com a falta de capacidade operacional do aeroporto de Lisboa e dificuldade de obtenção de ‘slots’.

Queriam que o problema do aeroporto tivesse sido solucionado atempadamente; queriam que os dois anos de pandemia tivessem sido aproveitados para ganharmos tempo.

LM

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