“Faça férias aqui como se estivesse em casa”. Este, embora parafraseado, seria, talvez, o melhor slogan que se pode perfeitamente aplicar à Georgia como futuro destino de lazer dos portugueses.
Antes de outros considerandos sobre este destino, chamo a atenção dos operadores turísticos portugueses para o ‘filão’ que a Georgia poderá ser num próximo futuro.
Por dois grandes motivos, a saber: ainda está pouco ou nada explorada pelos ditos, grandes operadores turísticos da Comunidade Europeia e da Grã-Bretanha, excetuando (talvez) a Alemanha; e, porque, em abono da verdade, o país, as suas gentes, as paisagens, a natureza, etc. e, sobretudo, aquele “não-sei-quê”, muito particular dos portugueses quando encontra almas gémeas, quando está entre os seus, seja em qualquer parte do mundo. São imensas as parecenças com Portugal, nomeadamente a nível de valores e tradições.
A Georgia vale pelas experiências e todas são viciantes, mesmo para quem efetivamente não participe, por quaisquer motivos.
De facto, ficamos rapidamente ligados à simpatia e simplicidade do seu povo. É como, traduz o ‘meu’ slogan, estar em casa.
Mas, e a Natureza… um dos muitos cartões de visita da Georgia, que oferece uma paleta muito variada de atrações, desde as montanhas cobertas de neve, onde o esqui é rei, às imagináveis cascatas e rios convidativos ao rafling, as grutas naturais, os campos e quintas e, até mesmo o bru-á-bá de uma efervescente cidade, verde, Tbilisi, onde até nem faltam as correrias dos ‘Glovos’ e acolhedoras esplanadas e restaurantes ao longo do rio Kura, polvilhado por pequenas embarcações turísticas.
No entanto, excetuando prioritariamente a Rússia de Putin, tudo o que possa ser considerado como ainda negativo – mas não impeditivo -, facilmente é ultrapassado.
Neste sentido e talvez como uma das mais difíceis, aponto as ligações aéreas entre Lisboa e Tbilisi, a capital do país. Embora existam várias companhias aéreas a fazê-lo, com uma ou duas escalas, a mais viável, quanto a mim, será a o Lisboa-Istambul (4h45 horas de voo aproximadamente) e Istambul-Tbilisi (cerca de 2h15 de voo) e regresso pelo mesmo caminho, sendo que, no regresso, se tenha que atravessar quase todo o aeroporto internacional de Istambul.
E quanto à língua, perguntarão? Absolutamente nenhum problema. Apesar do georgiano ser o idioma oficial da Geórgia, o inglês é falado por quase todos.
Outro fator a destacar é a forte informação turística – e bem ilustrada – das várias regiões do país, que necessariamente terá de ser feita em português, pelo menos a mais generalista. A par daquelas das informações gerais aos visitantes.
Georgia convida ao destino de aventura, com uma forte componente cultural a que se junta uma diversificada gastronomia – embora diferente da nacional, mas com o aliciante de apresentar variados e deliciosos ‘petiscos’, muitos à base de diversos queijos, que vão ao encontro ao gosto nacional – e vinhos que devem ser obrigatoriamente provados, até porque, como diz o ditado, “gostos são gostos e nem todos são iguais”
Apesar da hotelaria – pelo menos a que visitei – ser de muito boa qualidade, há certas falhas para quem tenha mobilidade reduzida, o mesmo acontecendo nas ‘facilidades’ de acesso a certos (e obrigatórios) pontos turísticos, que se tornam mesmo quase impeditivos de visitar.
Mas importante será, também e neste momento, para que melhor de compreenda este país e os seus habitantes, que facilmente conquista que o visite por bem, é perceber o que lhes vai na alma. Tive a oportunidade de falar com gente de várias idades nos ‘intervalos’ de algumas visitas turísticas que não fui. O sentimento que lhes vai na alma é comum e não fácil de transmitir no papel.
O que está mais ao de cima, é a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Os georgianos acreditam fortemente que a guerra da Ucrânia é também a deles, georgianos, que têm 20% do seu território reconhecido internacionalmente sob ocupação russa. E conhecem e sentem a situação.
Talvez por isso, este país, com cerca de 70.000 km2 e com uma população de quatro milhões de habitantes, sempre protestou contra a invasão russa e esse sentimento traduz-se por todo o país. Aliás, até como Portugal, a Georgia foi dos primeiros países a acolher refugiados ucranianos.
Recorde-se que desde 1991, quando declarou a independência, que a Georgia sente essa pressão, com o ‘roubo’ dos seus territórios de Ossétia do Sul e de Abecásia.
Outra preocupação mostrada – mais por uma entre a faixa etária dos 30-40 anos – foi a contínua construção, pelo exército russo, de cercas, campos militares e pontos de observação próximos da linha de separação entre os dois países. Apesar dos que temos divulgado, continuamos a ser ignorados pelo resto do mundo, disseram.
Os georgianos, à luz da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, cada vez mais acreditam (e sentem) que, se não houver um forte ‘travão’ por parte do mundo, que serão os próximos a ser invadidos pelos russos.
Apesar destes últimos considerandos, que não deixam de ser importantes para se conhecer a alma de um povo – será que nós, portugueses, não sentimos já isso e por várias vezes? –, a Georgia é um destino turístico que deverá a ser desde já ponderado como a escolha certa e não como uma alternativa.
Khachapuri: a iguaria nacional da Georgia
O Khachapuri, que desperta imediatamente a curiosidade e os cinco sentidos de qualquer um, é uma das primeiras iguarias que se serve a um convidado. É fácil e rápido de fazer (nomeadamente para quem sabe!) e tem várias variantes quanto à confeção.
Ingredientes para a massa: 700 gr de farinha de trigo; 240 ml de água; 120 ml de leite; 1 colher de chá de fermento; 1 colher de chá de sal; 1 colher de sopa de açúcar; e uma colher de sopa de óleo.
Ingredientes para o recheio: 350 gr de queijo fresco; 240 gr de queijo mozzarela desfiado; 240 gr de queijo Feta; 4 ovos; 1 gema para pincelar; manteiga (opcional).
Preparação: Numa tigela, juntar o fermento, açúcar e farinha de trigo; reservar; juntar a água e o leite e aquecer até ficar morno; misturar o leite e a água com a farinha de trigo, fermento e açúcar; misturar muito bem e colocar numa superfície enfarinhada; sovar a massa até ficar lisa, elástica e homogénea; adicionar o óleo à massa e voltar a amassar; deitar a massa numa tigela untada com azeite e cobrir com um pano ou filme de plástico; deixar descansar por uma hora ou até dobrar de tamanho.
Retirar a massa da tigela e colocar numa superfície enfarinhada; sovar por mais uns 5 minutos. Voltar a colocar a massa na tigela e descansar por mais 30 minutos.
Entretanto, ralar e misturar os queijos; reservar.
Remova a massa da tijela e corte-a em 4 pedaços iguais. Com um rolo abra cada pedaço em forma de círculo; de seguida, “feche” a massa apertando os cantos e crie uma borda em torno da massa, formando um barco. Transfira o khachapuri para uma forma untada e enfarinhada; rechear o interior de cada barco com queijo.
Bater a gema e pincelar a massa.
Assar os barquinhos em forno pré-aquecido e em temperatura alta por 15 minutos ou até a crosta ficar dourada; retirar.
Com uma colher, cave um pouco o centro do khachapuri e coloque um ovo; deitar alguns pedaços de queijo e manteiga por cima.
Tornar a meter no forno e cozinhar por mais uns 3-5 minutos.
Ao servir, misture com um garfo o queijo com a gema do ovo mole.





