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Entrevista do João Sanches, director-geral do Meliá Madeira Mare

Os primeiros nove meses do ano de 2018 correram muito bem e com resultados acima do ano anterior. Nos últimos três meses a Madeira começou a sentir alguma dificuldade o que não facilitou os resultados finais. O Meliá fechou com uma taxa de ocupação muito perto dos 80% e com volume de facturação superior ao 7.100M. Quem o afirmou foi João Sanches, director geral do hotel Meliá Madeira Mare Resort & Spa, unidade de hoteleira de 5 estrelas localizada na cidade do Funchal, em plena área do Lido.

No que concerne às ocupações, foram superados os valores do ano anterior embora tenham ficado uns três por cento abaixo das expectativas.

– O que contribuiu neste caso para isso?

Tivemos alguns grupos programados durante o ano que não se concretizaram, mas com uma operação que cerca de 70% depende da Tour operação, ainda temos alguma dificuldade em subir o preço médio acima daquilo que se pode esperar.

O nosso entrevistado acrescenta que ainda não se nota muito uma preocupação no que se refere às ocupações, embora com  a subida da oferta do Turismo local, a Madeira já tem números muito acentuados e claro que todos eles ocupam um lugar de avião que indirectamente afectam a Hotelaria tradicional.

Apesar de tudo, o Meliá Madeira Mare apresentou um RevPar acima dos 62,00€

– Quais os mercados mais geradores de turistas para o Meliá Madeira Mare?

O nosso Top 5 são o mercado inglês, alemão, polaco, francês e escandinavo.

Quanto ao perfil dos clientes desta unidade de 5 estrelas, o director geral do Meliá Madeira Mare salienta-se que o cliente da unidade não é igual durante todo o ano, pelo que se pode fazer uma separação.

De uma maneira geral, cada vez mais somos procurados por cliente de meia-idade, abandonando a ideia de que a Madeira é, principalmente no Inverno, um destino de 3º Idade, explica João Sanches, acrescentando que o Meliá Madeira Mare não é muito procurado por famílias mas, em compensação, cerca de 90% da nossa clientela são casais.

– Considera que as unidades hoteleiras de Porto Santo – ou mesmo as Canárias – são, se assim se pode dizer, os seus mais directos concorrentes?

Destinos como a Madeira e que tendo como a única porta de entrada o avião, são destinos em que os mercados internacionais são quase sempre os mesmos e que são a verdadeira concorrência.

Claro que as Canárias com o número as camas existentes e a quantidade de voos, é significativamente um concorrente de peso. O Porto Santo não se pode ver de forma alguma concorrente, mas sim como um verdadeiro parceiro.

– Os voos das companhias aéreas low cost e de outras têm sido benéficos para o crescimento das ocupações na hotelaria ou vêm mais beneficiar o residente?

– Neste altura creio que todos os voos vêm ajudar. Infelizmente os preços dos voos não têm ajudado muito o crescimento e as low cost, como era de esperar, vão um pouco a “reboque” da TAP e, muita vezes, de low cost só o nome.

– Considera que a ilha da Madeira, sempre a crescer, pode transformar-se no que se chama de turismo de massas?

– Creio que não, nem o é. Mas pode tornar-se nisso se não houver um maior controle sobre as licenças do aumento de camas na ilha.

– De que modo o crescimento do destino turístico Funchal e da ilha da Madeira se irá reflectir no Meliá Madeira Mare?

– Espero que bem. Estamos a melhor significativamente as nossas zonas publicas e como marca internacional que somos, temos um ‘brand’ exigente onde o serviço e o bem-receber é levado muito a sério.

– Já agora, como define e porque é diferente a unidade que dirige no contexto do destino?

A marca ajuda e muito mas aquilo que na verdade nos difere é a disponibilidade do nosso pessoal na ajuda ao cliente. Pontuação altíssima dada pelos nossos clientes ao ‘staff’ que fazem de um director muito feliz e contente.

Para o nosso entrevistado, 2019 será um ano “muito complicado” tanto para a Madeira em geral como para o Meliá Madeira Mare pelo que se deve ser

cauteloso. no que se faz de forma a não “estragar” o bom trabalho que temos feito nos últimos anos pelo destino e por todos aqueles que têm a responsabilidade de promover esta linda ilha.

– Já agora, fala-se na possível introdução de uma taxa turística no Funchal. Está de acordo com esta medida?

–  Não! E espero que nunca aconteça.

A terminar esta entrevista perguntámos ao director geral do Meliá Madeira Mare, João Sanches, como analisa o Funchal como destino turístico?

–  A Madeira têm todas as condições para continuar a ser um excelente destino, não podemos nem queremos que ela se transforme num local de massas e por isso temos que continuar a promover aquilo que a Madeira têm de melhor: clima, segurança, limpeza, pessoas e beleza natural.

Luís de Magalhães

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