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Tem uma das melhores vistas de Lisboa. O restaurante Panorama, lá do alto do seu 26º andar, onde é possível ter uma visão abrangente da cidade, é um dos pontos privilegiados quando se pensa em épocas festivas, nomeadamente as que envolvem fogos de artificio. Ou seja, a passagem de ano.

Mas não é apenas nessa data que cada vez mais pessoas procuram festejar fora de portas (da habitação própria).  Na verdade, longe foi o tempo em que a Consoada era passada exclusivamente em família. Hoje há cada vez mais pessoas a optarem por fazer o jantar num restaurante ou sala privada. A diversão está, na mesma, presente, com a vantagem de não haver preocupação, nem com a organização, nem com a limpeza (a posteriori). Isto leva a que espaços como o restaurante Panorama pensem cada vez mais não só em ementas especiais como em animações apropriadas (inclusive para crianças).

Mas será que a ementa criada para a consoada e réveillon deste ano faz jus à vista?

Num menu com sete prato tudo começa com o amuse bouche. Um Perfeito de tomate verde e amarelo com agrião da ribeira, crumble de requeijão e saladinha de chantareles trufados. Um prato muito fresco e equilibrado onde é possível sentir o sabor forte da fruta, mas sem ser em demasia. E que prepara o palato para a Terrina de salmão selvagem com anetto, ovo de codorniz e caviar, creme de topinambour e rabanete baby. O equilíbrio denotado no prato anterior mantém-se neste. Nenhum dos sabores destoa ou está demasiado acentuado. O salmão, com um sabor mais suave e textura acetinada é contrastado pela robustez do rabanete. Destaque ainda para o contraste de sabores evidenciados pela combinação ovo mais caviar.

No prato de peixe o restaurante Panorama optou pelo tradicional bacalhau (presente apenas na ementa da Consoada). E, para ser verdadeiramente tradicional tinha de ser, claro, o bacalhau de Natal com todos. Um bacalhau feito especificamente para o Sheraton Lisboa Hotel & Spa e alguns restaurantes com estrela Michelin. Um prato simples, onde o destaque vai todo para a qualidade dos ingredientes que o compõem.

No caso das carnes a escolha recai no Bife de novilho com espargos brancos, cenoura, puré de batata doce e misto cogumelos. Uma descrição demasiado simples para um prato onde se destaca a carne nobre, bem confeccionada e muito macia e onde se nota um esforço no sentido, não só de apresentar um prato equilibrado, mas também na conjugação de sabores. Onde o lado mais esponjoso do cogumelo é contraposto pelo puré da batata. E onde a carne sabe a carne.

Para limpar o palato e passar às sobremesas está previsto um sorvete de maça grawny Smith, com coli de poejos e bolo de beterraba. Além de muito bonita esta pré-sobremesa prima por conseguir conjugar elementos aparentemente inconciliáveis. Onde ao sabor mais ácido da maça contrapõe-se o terroso da beterraba, servido numa espécie de espuma e onde os poejos dão aquele ar mais “exótico” ou, mais ser mais precisa, “alentejano”. Um prato muito fresco e aromático onde todos os elementos fazem a diferença (mas onde o poejo se destaca).

A refeição termina com uma Terrina de chocolate com gelado de fava tonka e coulis de frutos vermelhos. Bem… sobremesa que é sobremesa tem de ser doce. E ter chocolate. No entanto aqui essa premissa pode não ser totalmente verdadeira. Todos os elementos estavam bem confeccionados e eram saborosos. No entanto por muito gulosa que uma pessoa seja e tende a “ir” para o chocolate, depois de provar o gelado de fava tonka o veredicto só pode ir para esta última. E desejar que o chef (e o restaurante) não utilizem este gelado apenas nas ementas desta quadra.

Alexandra Costa

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