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Aproveitei estas mini férias para fazer uma arrumação/revisão das algumas muitas coisas que fui “coleccionando” ao longos dos anos. E posso confessar que, até então, nunca me tinha apercebido e de forma tão evidente que já ultrapassei (bem) o meio século de jornalismo.

Ao ir abrindo aquelas caixas – apenas uma pequena percentagem delas – tornou-se evidente que também sou um “cota”. Mas, um feliz e bem vivido “cota”. E espero ser assim por mais alguns (bons) anos. Peço já desculpa àqueles que me vão continuar a aturar.

Em simultâneo com esta hipotética arrumação – ficou tudo como estava porque as histórias e estórias de cada “papel” levou mais tempo do  que tinha previsto para essa arrumação – recordei conversas dos últimos dias, durante apresentações da programação dos operadores.

Numa delas, que serve para o mote desta crónica (ou desabafo), falou-se de companhias aéreas, de quantas já tinham desaparecido, de fusões, situação financeira e outros problemas.

Foi então que “descobri” umas quantas caixas dedicadas, se assim se pode dizer, à aviação: bilhetes, etiquetas, cartões de embarque, ementas, cartas, etc., etc. E, só pela amostra – pois a cabeça já vai falhando em algumas coisas (e sou só eu?!) – já percorri muito mais de meio mundo e visitei países ou cidades que já não existem no mapa.

Por outro lado, viajei em companhias aéreas e aeronaves que “já foram”.

Para hoje, o menu apresenta duas companhias aéreas que já deixaram de cruzar os céus e um ticket TAP passado pela agência das viagens fantasmas dos deputados da Nação, mas esta paga em euros!

O primeiro documento refere-se à Balkan Airlines, companhia aérea estatal da Bulgária, criada em 1947, e que voava para Lisboa. Com a queda do muro de Berlim e do comunismo na Europa Central e Oriental, acumulou grandes prejuízos e foi extinta em 2002.

Segue-se a UTA-Union de Transports Aériens, resultado da fusão da Union Aéromaritime de Transport (UAP) com a Transports Aériens Intercontinentaux (TAI) em 1963.

A 19 de setembro de 1989, o seu DC-10, que ligava Brazaville a Paris explodiu sobre o Níger, devido a um atentado terrorista. Morreram 156 passageiros e 15 tripulantes. A companhia aérea foi posteriormente integrada na Air France em 1990.

Finalmente, termino com uma, digamos, curiosidade: com um bilhete emitido pela agência de viagens Sinestur – que faliu entretanto -, que esteve “envolvida” no caso das viagens dos deputados da Assembleia da República, que ficou conhecido como o caso das Viagens Fantasmas.

Luís de Magalhães