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Por um daqueles acaso em que o sono parece não querer chegar, participei recentemente num acalorado debate numa conhecida rede social, a passar agora por algumas situações “complicada”, o Facebook, em que o tema era o excesso do número de turistas em alguns locais ou zonas. Por tal motivo, discutia-se se era ou não correcto fazer manifestações contra o excesso de turistas que visitam, ao mesmo tempo,  locais turísticos ou que estão mais na moda – muitas vezes uma pura invenção do marketing económico-turístico – causando problemas vários aos moradores locais, ao mesmo tempo que vão “enriquecendo” outros.

Nesse debate, foram muitos os  que defenderam o crescimento ou votaram na redução dessa actividade. E como normalmente, seja este o caso ou outro, as maiorias estão nos extremos: o crescimento a todo o custo, independentemente das consequências, ou voltar ao passado, antes do “invasão” turística, para aproveitar o positivo dos locais sem turismo. Mas, o curioso foi que todos apresentaram resultados interessantes em defesa do que acham correcto.

Acredito e já o disse por mais de uma vez que não devemos ser fundamentalistas neste assunto específico, quanto ao haver ou um excesso de turistas ou um q.b. equilibrado número de turistas num mesmo local.

Não se trata de escolher uma ou outra alternativa, mas sim encontrar um meio termo entre o desenvolvimento do turismo e a sustentabilidade.

Creio e estou convencido que não podemos continuar a crescer ilimitadamente. Isto, porque é tão perigoso para a economia um excesso de turistas como a falta deles.

Pessoalmente, sou um defensor do Turismo, mas acredito que é necessário que o mesmo seja dirigido de forma sustentável – o que nem sempre acontece – para que  a actividade seja preservada por muitos anos e para que os destinos, ditos turísticos, não morram de sucesso, ou seja, atraiam tantos visitantes que o seu excesso possa vir a causar situações negativas, como seja, por exemplo, o criar uma experiência turística negativa. Mas deve entender também que isso também afecta significativamente a qualidade de vida da população residente e que, normalmente, o vaivém em excesso destrói aquilo que mais atrai visitantes. Todavia, há que ter em atenção os perigos de maçar ou importunar (entre outras coisas) o verdadeiro turista.

Compreendo os incómodos que o excesso de turistas causa “invadindo” os nossos espaços habituais de lazer e vivência. Contudo, será correcto fazer manifestações contra eles? Acho que já bastam as greves que acontecem na globalidade e no próprio sector do turismo, directa ou indirectamente, com museus e sítios encerrados, transportes paralisados, hotéis quase sem funcionários, setc. Quer se queira ou não, são sempre prejudiciais para a imagem de um destino.

Como colmatar a situação? Não sei. Mas considero que isso deveria ser da responsabilidade dos órgãos governamentais do Turismo – solicitando possivelmente outras ajudas também ministeriais -, às instituições com elos de ligação ao sector/indústria, às autarquias e, até indo mais longe, às próprias freguesias mais afectadas.

Apenas se exige, para além do respeito com uns e outros, que se atente na necessidade, entre outros itens, na sustentabilidade do Turismo nas vertentes social, económica e ambiental.

Será pedir muito?

Luís de Magalhães

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