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A Islândia, de beleza selvagem e rude, é um genuíno porto de abrigo para os viajantes em busca de aventura. É a terra onde as forças da Natureza parecem ter-se aliado às divinas para esculpirem com vento, gelo e fogo, uma ilha onde o Homem é reduzido à sua insignificância cósmica.

Todavia, desenganem-se aqueles que pensam que tamanha beleza e generosidade dos elementos foi um berço de ouro para os cerca de 400.000 habitantes que hoje vivem numa ilha ligeiramente maior que o território português.

Habituados a viver em cima de um autêntico laboratório vulcânico, os descendentes dos primeiros habitantes que aqui chegaram há 1.100 anos, carregam o ADN da luta contra os elementos hostis, fome, escravização às mãos de invasores e isolamento até aos nossos dias. E quando parecia que estava finalmente completo o código genético de resiliência, individualismo e espírito laborioso, eis que o colapso da banca em 2008 gelou o coração de um povo habituado a sofrer. Mas a vingança é um prato servido com o frio islandês e em 2010 as cinzas da erupção de um vulcão paralisaram o espaço aéreo do nosso planeta, pondo nas bocas do mundo um nome impronunciável: Eyjafjallajökull.

Como não acreditam em milagres, os islandeses puseram mãos à obra, sacudiram a poeira da crise, tomaram medidas criativas e a economia islandesa recuperou o terreno perdido. Assente no turismo, nas exportações de peixe, nomeadamente o bacalhau, ena indústria de alumínio, a taxa de desemprego oscila, actualmente, entre os 3% e os 4%. O seu nível de vida é hoje dos mais altos no mundo.

Para conhecer este país com 103.000 km2, encostado ao círculo polar Árctico, são precisos muito mais do que os cinco dias do programa tradicional – um aperitivo – que alguns operadores, entre eles a Nortravel, oferecem.

Mas percorrer uma boa parte da costa sul da ilha já satisfaz o apetite de quem não imagina o que se espera. Como sejam, por exemplo, os parques naturais como o de Pingvellir – Património Mundial da Humanidade da UNESCO, onde a paisagem se torna o cenário do mais relevante acontecimento histórico da nação a reunião, no ano de 930 dC, dos representantes de todas as tribos da Islândia, iniciando assim a mítica unidade nacional – ou o de Skaftafell, de uma beleza natural ímpar, com extensos glaciares, lagos de azul intenso, icebergs, túneis, rios cristalinos, vales inóspitos, quedas de água em gelo e um sem número de interesses que só a Natureza pode oferecer. Ou observar paisagens espectaculares em risco de extinção devido às mudanças climáticas mundiais, quedar-se diante da cascata de Gulfoss, num cenário de cortar a respiração, passear em áreas geotérmicas com fumarolas onde a actividade vulcânica é constante ou mergulhar nas águas terapêuticas e relaxantes do Lago Azul são experiências imperdíveis.

E o que dizer de Reiquejavique, a capital mais a norte da Europa? Uma cidade tranquila o quanto baste, com as suas casinhas de madeira, pintadas em cores vivas, a alternar com edifícios modernos de arquitectura simples.

Uma recomendação: no seu tempo livre não deixe de ir assistir ao pôr-do-sol, perto da escultura Sólfar , com o Monte Ejsa por trás.