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A 250 quilómetros de Lisboa (e cerca de 50 do Porto) está Ílhavo. Uma cidade que na maioria das vezes passa despercebida, ofuscada pela Veneza portuguesa – Aveiro. Mas é uma pena. Porque há muito para conhecer em Ílhavo. A começar pela sua história. A cidade está intimamente ligada à pesca do bacalhau. Era de lá que saiam os oficiais. Ainda hoje praticamente todos os habitantes estão de alguma forma ligados a essa actividade.

Não sendo muito grande Ílhavo tem quatro pontos turísticos de extrema importância. A nível nacional, inclusive. A começar logo pelo farol da Barra. Com 62 metros de altura e estando 66 metros acima do nível médio das águas do mar é o mais alto farol português. E aquele que recebeu mais vistas (de todos os faróis portugueses visitáveis) no ano passado. Entrou em funcionamento em 1893, em 1990 é totalmente automatizado e é possível visitá-lo todas as quartas-feiras, da parte da tarde.

O Museu Marítimo de Ílhavo não teve sempre a localização actual. Pelo contrário. O seu nascimento deu-se em 1937, fruto da acção de um grupo de amigos do museu (que inclusive doaram grande parte das peças que constituem o espólio. No início do século, mais precisamente em 2001, mudou-se para a sua casa actual. Um edifício amplo onde é possível ver não só todas as vertentes relacionadas com a pesca do bacalhau (inclusive uma replica das embarcações) mas também um aquário de bacalhaus. Mesmo que a viagem a Ílhavo seja curta e não possa ver tudo o Museu é um ponto imperdível. Visitar o museu é perceber a história da região, é perceber melhor a dureza da pesca ao bacalhau, as duras condições em que os homens faziam a travessia, o impacto nas famílias, mas também, numa era mais moderna, as transformações que ocorreram com o fim da pesca (pelo menos como era).

Para conhecer a história de Ílhavo a fundo é necessário complementar a visita do museu com uma visita ao Navio-Museu Santo André. Se no Museu Nacional tomamos contacto com os primórdios da pesca ao bacalhau aqui conseguimos ver, in loco, como era a vida dentro de uma embarcação (mais moderna). Aproveite a deslocação ao Navio Museu, ancorado no Jardim Oudinot, na cidade da Gafanha da Nazaré e passeie à beira ria. Pelo meio não deixe de fazer uma refeição naquele que é provavelmente o melhor restaurante da região: o Gafanhoto. Um local onde é impossível sair insatisfeito. Quer se fique apenas pelas entradas (sugerimos as ovas de bacalhau, a cavala marinada, as ostras e o berbigão da ria) ou opte pelos pratos principais. Seja como for não deixe de provar a sopa de peixe e termine com um cheesecake de frutos vermelhos. Sempre bem acompanhado por um espumante baga. Ah… uma pequena nota. Convém reservar mesa, senão arrisca-se a ter de esperar (um bom bocado).

Por fim, mas não por último, há que visitar um dos locais icónicos da região. O Museu da Vista Alegre. Conheça a história desta empresa, a sua importância no desenvolvimento da região e o impacto na economia do país (na altura, do reino) e não deixe de dar um olho ao Montebelo Vista Alegre Ílhavo Hotel, também ele um autêntico mostruário da arte de bem saber da Vista Alegre. Aliás, o ideal seria mesmo pernoitar aqui. Sabendo que cada quarto é único, já que a fábrica esteve seis meses a produzir peças únicas para a sua decoração. Não deixe de passear pela ala histórica, e de subir a escada icónica do hotel. No fim desfrute do pôr do sol e aprecie uma bebida na esplanada com vista para a ria. Uma boa forma de recuperar energias antes de regressar a casa e a mais uma semana de trabalho.

 

por Alexandra Costa