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Com toda a pompa e circunstância que estes momentos sempre pedem, ouvimos, faz agora (talvez) um ano, o vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais, Miguel Pinto Luz, anunciar que a remodelação da marina de Cascais deveria arrancar no final do corrente ano (2018), com a construção de uma unidade hoteleira e novos espaços comerciais, representando um investimento de cerca de 60 milhões de euros.

O certo e ao que parece, sobre este tema, a “festa” foi só nesse dia, porque na marina de Cascais tudo continua na mesma, exceptuando algumas obras pontuais.

Sobre o hotel, de 5 estrelas, internacional ou não… que se saiba, parece ter ficado apenas nas palavras ou em apontamentos. Concurso? Interessados? Um projecto megalómano? Será que o caso dos “Vistos Gold” teriam outro nome por aqui?

O projecto de remodelação da marina – onde estará ele? Já se perdeu? Perderam-no – previa a construção de um hotel e de um novo espaço comercial. E até para alegrar os marinheiros/empresários, todos os espaços de amarração seriam renovados (e certamente com o custo aumentado). Será que, há uma intenção de se pretende acabar com as embarcações pequenas naquela marina?

A nova marina terá também como atracções o novo museu de arte urbana (Marcc – Museum of Urban and Contemporary Art of Cascais), com a colecção do artista Vhils, e um museu do automóvel clássico, em parceria com o Automóvel Club de Portugal. O museu – penso que deve ser o “aperitivo” – está lá. É aquela casa de vidro à entrada, mas muito pobrezinho. Sobretudo, face ao grande anuncio!

Nessa mesma altura e no que concerne aos projectos e eventos apresentados então pela autarquia, destacava-se entre eles a reconversão urbanística da entrada na vila, com a renovação do hipermercado Jumbo, que seria “enterrado”, libertando espaço à superfície para melhorar as acessibilidades, zonas verdes e condomínios com vista para o mar. E, até agora, neste assunto, nenhuma palha foi mexida, como se costuma dizer.

Sabendo-se que a dinâmica da Câmara de Cascais não costuma ficar apenas pelo diz-se/diz-se e que não costuma apregoar as novas do reino sem mais nem menos, o que terá corrido mal ou o que obrigou fazer o esquecimento. “Rasteira” governamental? Fuga de parceiros?…

Aguarda-se portanto um comunicado que nada dirá concretamente para não ferir (certamente) algumas susceptibilidades.

Luís de Magalhães