COMPARTILHE

Em meu entender, depois de 40 anos de hotelaria em quatro continentes, pensava que já sabia alguma coisa até aterrar em Nampula, no Norte de Moçambique. Aqui aprendi que a qualidade do serviço ao cliente pode acontecer no mais insólito lugar africano. Até num bar nocturno de Nampula.

Deixando de fora as filosofias empíricas e estéreis, gostava de vos contar esta experiência, que pode ser semântica, mas é a minha experiência de…qualidade, onde não esperava.

“Tal como a beleza está nos ‘olhos’ de quem a vê, a qualidade está na mente do consumidor”

E assim cheguei ao “BAR BAGDAD”, , Nos primeiros dias que aterrei em Nampula, nesta já longa comissão de seis anos que já passou a convívio de permanência, visitei o Bar Bagdad, sempre considerado aqui no Norte, como um bar de frequência de locais, estrangeiros, “whites” e “meninas” que vinham procurar os expatriados mais disponíveis.

A entrada do Bar nocturno há as “esperas”, pelo que a medição desta minha experiência de qualidade começa logo na entrada mesmo. Mas, depois da entrada, tudo muda.

A iluminação é ambientadora mas suficiente, o ar condicionado trabalha bem, as pessoas fumam mas a extracção resolve a situação. O acolhimento foi imediato. Uma ou duas atendedoras, Macuas, simpáticas, ajudam na escolha da mesa. O ambiente cheira bem e as mesas e a higiene muito  satisfatória. O bar e as prateleiras estão carregadas de bebidas de todo o tipo, de várias marcas e categorias e com muita alternativa.

No atendimento quando pedes uma cerveja ela não demora a chegar, apesar da sala do bar estar cheio de clientes. Vem fresquinha e embrulhada em guardanapo de papel, com uma pequena dose de amendoim, “mahala”, que aqui quer dizer grátis. A música vem de vídeos nas várias TV’s espalhadas pela sala, com shows musicais ao vivo.

A caminho da casa de banho, lá estavam umas meninas num balcão de parede, a bebericar, muito bem aperaltadas e claro, disponíveis, mas que não se metiam com ninguém. Elas só viriam a acompanhar se as convidassem e não destoavam da clientela.

O acompanhamento do serviço sempre foi empático e atendedor. A conta vem sem demora. Os preços poderiam ser superiores ao esperado, mas eram iguais aos cafés da rua, variando conforme a categoria da bebida servida, pois expunham ali o que mais ninguém tinha numa cidade de maioria muçulmana.

O parqueamento era aceitável e tinha segurança ou havia um pacto de não-agressão numa cidade cheia de marginais nocturnos. Só nesta cidade de Nampula, em dois anos, fui assaltado e roubado seis vezes, em casa, na rua ou na viatura.

Voltei lá algumas vezes a tardinha, por volta das 18/19h30 e sempre ali encontrei uns famosos da cidade, uma tertúlia de empresários notados na cidade, algumas famílias indianas, todos bebericando do melhor e mais caro whisky ou conhaque francês. A essa hora não existiam muitos frequentadores, nem expatriados, nem “whites”, nem meninas á procura de “disponibilidades”.

Refira-se que a qualidade e a estabilidade da ambiência de serviço eram asseguradas pelo dono e pela sua esposa. À noite, havia mais uma empregada a servir pequenas iguarias, costumeiras destas casas nocturnas, com mais um toque de classe, nas pizzas e nos pregos no pão.

Viajei muitos quilómetros na minha vida e tive muitas experiências de luxo, que meramente me satisfizeram a mim e a outros pela opulência e qualidade dos equipamentos.

Assim e para terminar, remato: Quem determina se um serviço é de qualidade é o cliente. Se estiver de acordo com as suas expectativas é considerado de qualidade.

Emidio Baptista (ebconsultoria108@gmail.com)