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Macau ficou marcado em 2018 pela abertura da megaponte que acelera a integração na China, pelo reforço do estatuto de plataforma Pequim/países lusófonos, pelos recordes nas receitas do jogo e pela passagem de um outro supertufão.

A inauguração daquela que é a maior travessia marítima do mundo revestiu-se de um simbolismo incontornável, tanto na validação do compromisso de Macau para com a estratégia nacional de Pequim, como na conceção de uma ponte fundamental para a criação de uma metrópole mundial que vai ligar o território a Hong Kong e nove localidades da província de Guangdong (Cantão, Shenzhen, Zhuhai, Foshan, Huizhou, Dongguan, Zhongshan, Jiangmen e Zhaoqing), com cerca de 68 milhões de habitantes, praticamente a população de França.

Em pouco mais de um mês, dois acontecimentos definiram em 2018 o futuro papel de Macau: se por um lado a abertura a 22 de outubro da megaponte Hong Kong-Zhuhai-Macau ilustra o acelerar da integração de Macau na mãe-pátria, a visita do Presidente chinês a Portugal a 04 e 05 de dezembro reforçou a condição do território como intermediário privilegiado na agenda económica que a China reservou para os países de língua portuguesa.

A aposta crescente na formação de quadros qualificados bilingues, uma constante ao longo de todo o ano, bem como na promoção do negócio multimilionário da Medicina Tradicional Chinesa, com ‘direito’ a um fórum global que teve lugar em final de setembro, ilustram o caminho que está a ser percorrido neste território que, após mais de 400 anos sob administração portuguesa, passou a ser uma Região Administrativa Especial da China a 20 de dezembro de 1999, com um elevado grau de autonomia acordado durante um período de 50 anos.

De resto, os números divulgados já no final deste ano pelo Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa testemunham bem o crescimento das trocas comerciais sino-lusófonas, que aumentaram dez vezes nos últimos 15 anos, passando dos quase dez mil milhões para os 103 mil milhões de euros.

Apelidada de Las Vegas da Ásia, Macau continuou a bater recordes na angariação de receitas dos casinos, confirmando o estatuto de capital mundial do jogo, até porque, apenas com o mês de dezembro por apurar, as receitas brutas acumuladas nos 11 meses de 2018 totalizaram 276.378 milhões de patacas (quase 31 mil milhões de euros), mais do que em todo o ano de 2017.

Primeiro com muita apreensão, depois com um suspiro de alívio, as autoridades de Macau assistiram no início de setembro à passagem do supertufão Mangkhut, pouco mais de um ano depois do Hato ter causado dez mortos e 240 feridos.

Números que contrastam com os 40 feridos e nenhuma vítima mortal registados em 2018 após uma megaoperação da protecção civil que chegou a colocar no território 16 abrigos, com capacidade para acolher cerca de 24 mil pessoas.

Ao longo do ano, a velocidade com que a China está a promover a integração de Macau também se traduziu nas iniciativas legislativas ou no que alguns críticos apelidaram de visão mais securitária do território: foi assim, por exemplo, com a anunciada intenção de limitar a investigação e os julgamentos em casos que envolvam a segurança do Estado apenas a magistrados do Ministério Público e juízes com cidadania chinesa.

O mesmo aconteceu com as iniciativas legislativas para tipificar os crimes de falso alarme social e de ultraje aos símbolos e representações nacionais da República Popular da China, em ambos os casos puníveis com penas até três anos de prisão.

Já no final de novembro, o próprio secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, anunciou a intenção de instalar no território, já no próximo ano, câmaras de videovigilância com reconhecimento facial para reforçar o policiamento através das novas tecnologias.